Créditos: Divulgação
19-08-2026 às 09h37
Renata Mendes*
O Brasil perdeu, em um intervalo de poucas horas, duas das maiores referências da dramaturgia nacional. Laura Cardoso, aos 98 anos, morreu na noite de segunda-feira (17), em São Paulo. No dia seguinte, terça-feira (18), foi a vez de Glória Menezes, que morreu aos 91 anos, em seu apartamento no Rio de Janeiro. As duas construíram carreiras marcadas pelo talento, pela longevidade e por personagens que atravessaram diferentes gerações.
Pioneira da televisão brasileira, Laura Cardoso acumulou mais de seis décadas de carreira e mais de uma centena de trabalhos entre televisão, cinema e teatro. Na TV Globo, onde mantinha contrato vitalício, participou de produções que se tornaram clássicos da teledramaturgia. Seu último trabalho em uma novela foi em A Dona do Pedaço, em 2019, mas sua presença permaneceu na memória do público mesmo longe das gravações.
Glória Menezes também ocupa um lugar de destaque na história da televisão. Com mais de 60 anos de trajetória artística, estreou na Globo em 1967 e protagonizou importantes novelas ao longo das décadas. Entre seus trabalhos marcantes estão Irmãos Coragem, Pai Herói, Rainha da Sucata, O Beijo do Vampiro, Senhora do Destino e A Favorita. No cinema, participou de O Pagador de Promessas, filme vencedor da Palma de Ouro em Cannes.
Além de colegas de profissão, Laura e Glória também dividiram momentos diante das câmeras. O primeiro encontro artístico entre as duas ocorreu ainda em 1959, no teleteatro Um Lugar ao Sol, quando a televisão brasileira dava seus primeiros passos. Décadas depois, voltaram a trabalhar juntas em produções como Senhora do Destino. A coincidência das mortes, em dias consecutivos, aumentou a sensação de encerramento de um importante capítulo da história da televisão brasileira.
A despedida das duas atrizes provocou manifestações de carinho de colegas, amigos e admiradores. Para uma geração de artistas que cresceu acompanhando suas trajetórias, Laura Cardoso e Glória Menezes representam uma época em que a televisão brasileira consolidou sua identidade e passou a fazer parte da rotina de milhões de brasileiros. Seus personagens, interpretações e histórias permanecem como parte do patrimônio cultural do país.

