Senador Rodrigo Pacheco - créditos: Agência Senado
19-02-2026 às 09h26
Por Samuel Arruda*
O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) vive um momento decisivo na sua trajetória política enquanto costura um arco de alianças para uma possível candidatura ao governo de Minas Gerais, em meio à disputa eleitoral de 2026 que já mobiliza partidos de centro, centro-esquerda e segmentos tradicionais do eleitorado mineiro.
Pacheco — que chegou a sinalizar publicamente que pretende encerrar sua carreira política ao fim do mandato no Senado, em 2027 — voltou a ser pressionado por aliados e pela própria base do governo federal a considerar uma entrada formal na disputa estadual. A definição, contudo, segue condicionada à formação de um amplo grupo de apoio político que lhe garanta competitividade eleitoral e espaço de protagonismo no estado.
Nas últimas semanas, o senador intensificou o diálogo com diversas legendas para construir uma coalizão que possa sustentar sua eventual candidatura. Entre os partidos com os quais Pacheco tem conversado estão o PSB, o PSDB e o Avante, além de MDB, União Brasil, PP e mesmo o PT — este último via aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que manifestou publicamente apoio à ideia de Pacheco disputar o Palácio Tiradentes.
Fontes ouvidas pela reportagem apontam que esses encontros não se resumem a conversas protocolares, mas visam a composição de um arco de alianças que inclua legendas de diferentes espectros políticos — do centro à centro-esquerda — fortalecendo, na leitura dos interlocutores, a candidatura de Pacheco frente a um cenário de fragmentação pela direita.
Em uma estratégia interna de alianças, o movimentação ocorre em um quadro em que a política mineira se desenha com incertezas:
O PSD estadual, partido de Pacheco, caminha para abraçar a candidatura do vice-governador Mateus Simões, alinhado ao atual governador Romeu Zema (Novo). Isso tem tensionado as relações internas e criado uma necessidade de Pacheco buscar outro espaço partidário ou acordos fora da sigla;
A negociação com o PSDB, tradicional legenda de centro-direita em Minas, ainda está em aberto. A sigla tem discutido estratégias para preservar sua relevância regional, inclusive diante de movimentos de fusão ou aproximação com outras legendas como o PSD — algo que pode impactar num eventual acordo com Pacheco;
Com o Avante, partido menor, o movimento é mais tático: busca-se ampliar alianças no espectro de centro, agregando forças que possam equilibrar a chapa majoritária e reforçar a competitividade em um pleito que se antecipa acirrado.
Com pressões e expectativas Internas, Pacheco tem afirmado que sua decisão dependerá não apenas de ambições pessoais, mas da capacidade de reunir em torno de si um conjunto de partidos que ofereçam viabilidade eleitoral e coesão política — um movimento que, segundo assessores, pode condicionar sua permanência ou saída da vida pública após 2027 ao tema das alianças que se formarem agora.
No âmbito nacional, o presidente Lula tem reiterado publicamente que considera Pacheco um nome importante e influente em Minas Gerais, avaliando-o como uma peça central para o fortalecimento do palanque petista no estado. A interlocução direta entre os dois, inclusive, tem sido vista como um elemento importante no processo de definição das bases políticas que cercam a candidatura.
Embora com o cenário em aberto, Pacheco ainda não tenha confirmado formalmente sua candidatura, o ambiente político em Minas Gerais segue em intensa movimentação. A articulação com partidos como PSDB e Avante, somada a diálogos com legendas maiores e a apoio potencial do PT, sinaliza que o senador tem buscado ampliar seu leque de alianças antes de consolidar sua posição oficial no pleito de 2026 — um processo que, até o momento, permanece fluido e sujeito a ajustes estratégicos conforme a dinâmica interna de cada legenda e as prioridades nacionais de grandes forças políticas.
*Samuel Arruda é jornalista e articulista

