Ilustração XP Investimentos - créditos: divulgação
16-10-2026 às 12h32
Cris Miranda*
O indicador veio bem abaixo das expectativas, registrando uma contração de 0,1% na comparação mensal, o que representa uma alta de 0,6% na comparação interanual. O resultado ficou próximo ao piso das estimativas de mercado e frustrou também a nossa projeção, que se encontrava na ponta mais otimista.
Pelo lado negativo, o que puxou o indicador para baixo foram principalmente os serviços de transporte, que representam o componente de maior peso da PMS, com destaque para o modal rodoviário. Esse recuo pode estar associado aos preços elevados dos combustíveis, que voltam a pesar sobre o segmento, somados à desaceleração da demanda na própria economia, reduzindo a movimentação tanto de mercadorias quanto de passageiros. Essa foi a principal surpresa baixista, acompanhada pelo grupo de ‘outros serviços’, que reúne diversas categorias dispersas e reforça a leitura de perda de tração econômica.
Do lado positivo, o destaque ficou com os serviços prestados às famílias, especialmente o segmento de alimentação fora do domicílio, que apresentou forte alta, próxima a 7% na comparação interanual. Esse comportamento reflete o principal suporte atual da atividade doméstica: o mercado de trabalho aquecido. As leituras recentes da Pnad Contínua e do Caged continuam sólidas, com a taxa de desemprego nas mínimas históricas e massa de rendimentos em expansão, o que sustenta o consumo discricionário diretamente atrelado à renda. Por outro lado, o segmento de serviços de informação e comunicação — grande motor de expansão no pós-pandemia — não recuperou a perda registrada em julho, contrariando a expectativa de retomada.
A mensagem geral, portanto, confirma uma economia em desaceleração e surpreendendo para baixo. Diante da PMS, revisamos para baixo o nosso tracking de PIB do terceiro trimestre, que passou de uma retração de 0,08% para uma queda de 0,15% na comparação trimestral com ajuste sazonal. Da mesma forma, ajustamos a nossa projeção para o IBC-Br de agosto para 0,4% na margem e 1,3% na comparação interanual (ante projeções anteriores de 0,7% e 1,7%, respectivamente).
Em suma, trata-se de mais um indicador a sinalizar que a desaceleração da economia chegou de forma antecipada e um pouco mais intensa. Esse cenário conversa diretamente com as sucessivas revisões baixistas observadas no mercado e com o posicionamento da XP, que projeta crescimento do PIB de 1,7% para 2026 e uma expansão ainda mais modesta, de 1,0%, para 2027 — mantendo viés de baixa.
*Cris Miranda é assessora de comunicação

