Crédito: Divulgação
21-09-2026 às 17h49
Priscilla Poubel*
A busca por estratégias arquitetônicas para otimizar ambientes de trabalho e reduzir despesas operacionais tem levado empresas a investir no design biofílico, abordagem focada na integração de elementos da natureza ao ambiente construído. A prática vai além de composições estéticas pontuais e se consolida como uma ferramenta de gestão financeira e de recursos humanos.
“A chegada da primavera e o aumento da luminosidade natural são ótimos caminhos para a adoção do design biofílico. Em linhas gerais, ele procura trazer para o cotidiano aspectos que nosso organismo reconhece como naturais e benéficos, como luz solar, ventilação, vegetação e vistas para áreas verdes. Trata-se de projetar espaços considerando como o ser humano evoluiu em contato com a natureza. Não é apenas colocar vasos de plantas no escritório, mas criar ambientes para estimular os sentidos e reduzir o estresse de quem utiliza o local diariamente”, explica Rita Patron, professora da UniCesumar e doutora em Arquitetura e Urbanismo.
De acordo com levantamentos de inteligência de mercado de consultorias como a Allied Market Research e a Global Market Insights, o setor global de design biofílico foi avaliado em US$ 22,4 bilhões, impulsionado pela busca por soluções que aliem sustentabilidade e bem-estar ocupacional. As análises projetam expansão contínua do mercado até 2033, destacando um aumento expressivo na procura por materiais naturais e sistemas vegetais aplicados ao retrofit de edifícios corporativos.
Eficiência energética e redução nos custos de manutenção
A relação entre o projeto arquitetônico e a redução de custos corporativos é direta, já que ao planejar edifícios para otimizar a iluminação natural durante o dia, reduz-se a necessidade de luminárias elétricas ativas. Paralelamente, o uso de estratégias de ventilação natural e ventilação cruzada diminui a dependência de sistemas mecânicos de ar-condicionado e climatização, impactando diretamente a conta de energia elétrica.
A escolha dos materiais também altera os custos operacionais.
“O uso de materiais sustentáveis e duráveis, como madeira certificada, revestimentos de alta resistência e vegetação adaptada ao clima local, reduz o consumo de recursos e demanda menos substituições ao longo do ciclo de vida da edificação. O uso de plantas nativas, por exemplo, exige menor volume de irrigação e menor frequência de manejo, gerando benefícios econômicos acumulados no médio e longo prazo”, afirma a docente da UniCesumar.
Implementação gradual por retrofit biofílico
Para empresas instaladas em edifícios já consolidados, a adaptação não exige reformas estruturais de alto custo, podendo ser realizada via retrofit biofílico de forma gradual e escalonada. Intervenções operacionais simples já produzem impacto direto na rotina e nos resultados da empresa.
“A reorganização do layout, por exemplo, permite direcionar as mesas de trabalho para aproveitar ao máximo a iluminação natural e melhorar a vista externa. A adequação e melhoria das aberturas de ar favorecem a circulação natural, reduzindo a dependência do uso de ar-condicionado. Além disso, a inclusão de vegetação nativa aprimora o conforto visual do ambiente enquanto mantém baixos os custos de irrigação e manutenção. Por fim, a criação de áreas de convivência e descanso integradas à natureza estimula pausas restauradoras ao longo do expediente, diminuindo a fadiga dos colaboradores durante a jornada de trabalho, diz Rita Patron.
Otimização do espaço e bem-estar ocupacional
A proximidade com elementos naturais atua diretamente em marcadores biológicos e no comportamento cotidiano dos funcionários. Espaços com vegetação e luz natural estão associados à diminuição da frequência cardíaca, da pressão arterial e dos níveis de cortisol, hormônio ligado ao estresse. Na prática corporativa, a adequação ambiental reflete-se na permanência dos colaboradores em áreas comuns de convivência, na utilização eficiente das áreas de descanso e no relato de menor desgaste físico e mental ao final do expediente.
“Na prática, observamos que as pessoas utilizam melhor as áreas de descanso e relatam menor sensação de fadiga ao final da jornada. Espaços verdes e bem iluminados estão associados à diminuição da frequência cardíaca e dos níveis de cortisol. Em um cenário corporativo de alta demanda cognitiva, a arquitetura passa a atuar diretamente na prevenção do desgaste dos colaboradores, promovendo saúde e produtividade de forma integrada”, conclui a doutora.
Sobre a UniCesumar
Com mais de 35 anos no mercado educacional e desde 2022 como uma das marcas integradas ao grupo Vitru Educação, a UniCesumar conta com uma comunidade de cerca de 500 mil alunos. Atualmente, possui uma robusta estrutura de Educação a Distância (EAD), com mais de 1,3 mil polos espalhados por todas as regiões do país, além de três unidades internacionais, localizadas em Dubai (Emirados Árabes) e Genebra (Suíça). No ensino presencial, destaca-se o curso de Medicina, oferecido nos campi de Maringá (PR) e Corumbá (MS), juntamente a outros três campi, localizados em Curitiba, Londrina e Ponta Grossa (PR). Como um dos dez maiores grupos educacionais privados do Brasil, a UniCesumar oferece portfólio diversificado, com 350 cursos, abrangendo graduação, pós-graduação, técnicos, profissionalizantes, mestrado e doutorado. Sua missão é promover o acesso à educação de qualidade e contribuir para o desenvolvimento pessoal e profissional de seus alunos, preparando-os para os desafios do mercado de trabalho.

