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06-11-2026 às 08h35
Samuel Arruda*
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) sua renúncia ao cargo, em meio à maior crise política e financeira enfrentada por seu governo. A decisão ocorreu após o colapso do Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras digitais do país, e o avanço de um processo de impeachment no Congresso Nacional.
Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, Peña afirmou que sua saída busca preservar a estabilidade do país, a paz social e as instituições democráticas. O presidente também pediu desculpas à população, mas não assumiu diretamente responsabilidade pelas irregularidades apontadas na crise bancária.
O escândalo ganhou dimensão política porque Peña foi acionista do Grupo Vázquez, antigo controlador do Ueno Bank, até março de 2025. Parlamentares da oposição levantaram suspeitas de conflito de interesses, favorecimento e falhas na fiscalização da instituição. O presidente negou envolvimento em irregularidades.
A crise começou quando o Banco Central do Paraguai identificou graves problemas financeiros no Ueno Bank, incluindo operações de crédito consideradas irregulares e insuficiência de capital abaixo do mínimo exigido pela legislação. A autoridade monetária determinou a intervenção na instituição, iniciando o processo de liquidação.
O fechamento deixou aproximadamente três milhões de clientes sem acesso imediato às suas contas, provocando protestos, insegurança entre correntistas e preocupação com recursos de trabalhadores, aposentados e fundos públicos.
As investigações também atingiram dirigentes da instituição. Executivos foram presos ou colocados em prisão domiciliar, enquanto autoridades judiciais determinaram o bloqueio de bens. O caso passou a envolver suspeitas de operações financeiras irregulares e possíveis prejuízos aos recursos de clientes e do Estado.
A renúncia não encerrou a crise política. A Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, o impeachment de Peña, por 78 votos a zero, encaminhando o processo ao Senado.
O vice-presidente Pedro Alliana é o nome previsto para assumir a Presidência, mas a formalização da sucessão depende dos procedimentos constitucionais e da tramitação da renúncia no Congresso.
A crise também provocou a saída do presidente do Banco Central paraguaio e abalou a confiança no sistema financeiro do país.
A turbulência política e bancária preocupa investidores e países vizinhos, especialmente o Brasil, que mantém importantes relações comerciais e investimentos no Paraguai.
O episódio representa um teste para a estabilidade institucional paraguaia e coloca em discussão a relação entre poder político, fiscalização financeira e proteção dos recursos da população.
A crise ainda está em andamento, e os próximos passos do Congresso e das investigações serão decisivos para definir as consequências políticas e econômicas da saída de Santiago Peña.
*Samuel Arruda e jornalista e editor de politica

