01-11-2026 às 09h40
Samuel Arruda*
A preocupação dos brasileiros com a corrupção voltou a crescer e já ocupa o segundo lugar entre os principais problemas do país. É o que revela a edição de outubro de 2026 da pesquisa internacional What Worries the World, realizada pelo instituto Ipsos. O levantamento mostra um cenário de insatisfação com questões que envolvem segurança pública, desigualdade social, saúde e funcionamento das instituições.
De acordo com os resultados, 46% dos entrevistados apontam crime e violência como a principal preocupação nacional. Embora o índice tenha recuado seis pontos percentuais em relação a setembro, continua elevado e seis pontos acima do registrado no mesmo mês de 2025.
A corrupção política e financeira aparece em segundo lugar, mencionada por 38% dos brasileiros. O indicador cresceu três pontos percentuais em apenas um mês, demonstrando que o problema voltou a ganhar espaço na percepção da população.
Na terceira posição estão a pobreza e a desigualdade social, apontadas por 33% dos entrevistados. A saúde aparece logo depois, com 31%, após uma queda de cinco pontos percentuais em relação ao levantamento anterior. Já os impostos foram mencionados por 26%.
Os números mostram que, apesar das mudanças na ordem das preocupações, os problemas sociais, econômicos e institucionais continuam presentes no cotidiano dos brasileiros.
A pesquisa também permite comparar as preocupações atuais com aquelas registradas durante a eleição presidencial de 2022. Naquele período, a pobreza e a desigualdade social lideravam o ranking, com 46% das citações. Saúde e crime e violência apareciam empatados, com 35%, enquanto a corrupção ocupava apenas a quinta posição, com 29%.
Quatro anos depois, o cenário apresenta mudanças significativas:
- Crime e violência: passou de 35% para 46%.
- Corrupção: subiu de 29% para 38%.
- Pobreza e desigualdade: caiu de 46% para 33%.
- Saúde: recuou de 35% para 31%.
A comparação demonstra que segurança pública e corrupção ganharam importância na percepção dos brasileiros, enquanto pobreza e desigualdade perderam espaço relativo, embora continuem entre as principais preocupações nacionais.
A maioria do brasileiro não acredita que o Brasil esteja no caminho certo.
Outro dado que chama a atenção é a avaliação sobre os rumos do país. Segundo a Ipsos, 61% dos entrevistados consideram que o Brasil está seguindo na direção errada. Apenas 39% acreditam que o país está no caminho certo.
Apesar de o percentual de avaliação positiva ter avançado três pontos em relação a setembro, houve uma redução de dois pontos na comparação com outubro de 2025.
Em outubro de 2022, 33% dos brasileiros consideravam que o país estava na direção certa. Portanto, existe uma melhora em relação àquele período, mas a avaliação negativa ainda representa a maioria da população.
O levantamento também apresenta um panorama internacional. Como estão as preocupações nos restante do mundo? Considerando os 30 países pesquisados, inflação e crime e violência dividem a liderança das preocupações mundiais, ambos com 31%.
Pobreza e desigualdade social e desemprego aparecem na sequência, com 29% cada. A corrupção política e financeira completa o grupo dos cinco principais problemas mencionados.
No Brasil, a preocupação com a inflação aparece em 25%, abaixo da média internacional. Isso não significa, entretanto, que o custo de vida tenha deixado de pesar no orçamento das famílias.
A pesquisa oferece um retrato importante das inquietações da sociedade brasileira e o que elas revelam sobre o Brasil é que, a violência e a corrupção aparecem com força, enquanto pobreza, desigualdade e saúde continuam representando desafios estruturais.
Os resultados também mostram que a avaliação sobre os rumos do país não acompanha necessariamente a percepção sobre cada problema isoladamente. Mesmo com uma melhora em relação a 2022 no indicador de direção do país, seis em cada dez brasileiros ainda demonstram insatisfação.
Em um cenário de disputas políticas e econômicas, os dados representam um sinal de atenção para os governantes. Mais do que apresentar programas e promessas, os governos precisam demonstrar resultados concretos em áreas que afetam diretamente a vida da população.
Metodologia: a pesquisa Ipsos What Worries the World ouviu 24.527 adultos, com idades entre 16 e 74 anos, em 30 países, incluindo aproximadamente mil entrevistados no Brasil. O trabalho de campo ocorreu entre 25 de setembro e 9 de outubro de 2026, durante o período eleitoral brasileiro.
*Samuel Arruda é jornalista e editor de política

