25-10-2026 às 13h42
Samuel Arruda*
A votação dos brasileiros residentes no exterior começou a produzir, neste domingo (25), os primeiros indicadores concretos do segundo turno da eleição presidencial de 2026. Os boletins de urna divulgados em países onde a votação já foi encerrada mostram uma disputa com diferenças expressivas de comportamento eleitoral entre as comunidades brasileiras, sem uma preferência uniforme em todas as regiões.
Os primeiros resultados apontam Flávio Bolsonaro (PL) com ampla vantagem no Japão, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece à frente na Austrália, na Nova Zelândia, na China e na Coreia do Sul. Há também disputas mais equilibradas em países e territórios como Malásia, Taiwan e Hong Kong. Os números foram compilados a partir dos boletins de urna por veículos de imprensa que acompanham a apuração no exterior.
O quadro ainda é parcial e não representa a totalização de todos os votos dos brasileiros que vivem fora do país. Portugal e Estados Unidos, duas das maiores concentrações de eleitores brasileiros no exterior, ainda não haviam concluído a votação nos levantamentos publicados durante a manhã deste domingo.
Entre os resultados já divulgados, o Japão chama a atenção pela diferença entre os candidatos. Flávio Bolsonaro recebeu 28.538 votos, correspondentes a 80,08% dos votos válidos, enquanto Lula somou 7.098 votos, ou 19,92%.
Na Austrália, o quadro é diferente: Lula aparece com 6.017 votos (63,46%), contra 3.465 de Flávio (36,54%). Na Nova Zelândia, o presidente também registra maioria expressiva entre os votos válidos contabilizados: 418 votos, equivalentes a 80,54%, contra 101 votos (19,46%) do adversário.
Na China, Lula recebeu 502 votos (65,28%), enquanto Flávio obteve 267 (34,72%), segundo o levantamento do Poder360. Na Coreia do Sul, o resultado divulgado aponta 148 votos para Lula (64,35%) e 82 para Flávio (35,65%).
Os dados evidenciam que o voto no exterior não pode ser tratado como um bloco político único. A distribuição dos votos varia significativamente conforme o país, e os resultados locais precisam ser considerados em conjunto com a apuração dos demais locais de votação.
Em algumas localidades a disputa se mostra mais equilibrada e a diferença entre os candidatos é menor. Na Malásia, Flávio Bolsonaro aparece com 44 votos (51,76%), diante de 41 votos (48,24%) de Lula. Em Taiwan, o candidato do PL registra 130 votos (58,04%), enquanto o petista soma 94 (41,96%).
Em Hong Kong, Flávio aparece com 133 votos (51,15%), contra 127 (48,85%) de Lula. Nas Filipinas, o candidato do PL tem 39 votos, equivalentes a 59,09%, e Lula registra 27 (40,91%).
Já em Singapura, Lula aparece à frente, com 213 votos (63,77%), contra 121 (36,23%) de Flávio.
Os números reforçam a importância de observar tanto os percentuais quanto o total absoluto de votos. Uma diferença percentual elevada em uma comunidade pequena não tem o mesmo peso numérico de uma vantagem registrada em um país com dezenas de milhares de eleitores participantes.
O peso do voto no exterior
O peso do voto no exterior, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 918.876 brasileiros estão aptos a votar fora do país em 2026, distribuídos por 186 cidades. No exterior, a votação é destinada exclusivamente à escolha do presidente e do vice-presidente da República.
Apesar do crescimento desse eleitorado, os brasileiros residentes fora do país representam pouco mais de 0,5% do total de eleitores aptos no Brasil. Portanto, seus votos integram a apuração nacional, mas não devem ser confundidos com uma amostra estatisticamente representativa do eleitorado que vota em território brasileiro.
*Samuel Arruda é jornalista e editor de política

