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20-09-2026 às 07h46
José Altino Machado*
Muitos, inclusive eu próprio, cheguei a cogitar escrever em jornais e gravar no espírito os acontecimentos no Supremo Tribunal Federal vulgarmente, se cabe, conhecido STF.
Também como eu, muitos horrorizados com a circense apresentação nos picadeiros dos infernos dantescos, gostariam de se manifestar.
Dizer o que, daquele decano boca suja, amancebado em Portugal, pelas graças das primeiras classes aéreas cedidas? Tanto que muita gente se pergunta, que porra que ele acha que é, para desrespeitar seus pares daquela maneira e ainda posar de professor de Deus tentando humilhar seus colegas de cargo e igual poder?
Interessante, que até outro alto magistrado, jurista carreirista, também perambulante na política partidária, se creditando maior experiência, ainda houve por bem, admoestar constrangendo o já encabulado, presidente da Casa, na condução daquela “demonstrada desunião investigativa que não investigou cacete nenhum.” Essa frase não é minha, mas do povo aí nas ruas.
Querem saber, nem quero mais tocar nesse merdeu todo, promovido pelo espetáculo vivido “pelas mais baixas togas”. Ainda mais que incrédula a opinião pública e comunicadores, não se deram conta, que no que se apurava ninguém tocou. Homenagem e bloqueio total ao sequer suspeito, comprovadamente prevaricador.
Esta Nação, sem nenhuma sombra de dúvida, foi criada por homens e mulheres de valores inquestionáveis. Desde tempos remotos, se hoje contado nos remete a loucura.
Um deles, sem estradas, trilhas, varadouros, sequer mapas, saindo da província de São Paulo, com dez mil acompanhantes, chega a alcançar os dourados rios da hoje Rondônia. Praticamente só…tantos ficaram pelo caminho. Ele e apenas um companheiro, passando por Belém chegaram de volta ao ponto de partida, dez anos depois e ainda pôde vivenciar que se tornara corno. Mas, ele abriu as grandes sendas daquele que seria Brasil. E mais e mais valores humanos haveriam de lhe seguirem o exemplo.
Até um português, sabidão, no cargo de ministro da sua Corte, para abertura de surgimento de mais gente valorosa, instituiu pagamento ao ato heroico da trepação para o crescei, multiplicai, para das terras do adormecido gigante se adonairem.
Um heroico Padre católico, desatinado que só, transava com quase duas dezenas de mulheres, tendo com elas 73 filhos. Aqui, condenado por explicita e exagerada bigamia, com recurso a alta Corte Real em Portugal, foi absolvido e até saudado como perfeito contribuidor ao engrandecimento populacional no rincão. Por aí se vê que valores buscamos até para a artes das camas.
E muitos outros vieram e continuam a vir.
Seguindo após a bagunça colonial, se o Pedroca I continuava frequentador assíduo das mais variadas camas, até de mulheres do alheio, em compensação deixou um herdeiro que se tornou um dos melhores administradores do país.
Pedro II. Tocou uma nau sem muito vento a favor por quase seguidos 50 anos. Consolidou todo o território nacional e ganhou uma inteira guerra feroz com o então, marrento Paraguai.
O velho barbudo, era um porreta, até na Amazonia fez avançar uma ferrovia de algum lugar para lugar nenhum, na época. Mas, circundava as margens de um rio criado, por outro, o Madre de Dios, que de tão abençoado, adentrando nosso Brasil e tornando-se, o Madeira, dera ouro aos Incas e mais deixando, aos valentes garimpeiros nacionais, que agora, somente por incompetência, buscam destruir.
Também é verdade, que um afoito general, acordou um sonolento marechal, soprando-lhe ao ouvido que declarasse a república. Este, achando que era um sonho ou pesadelo, montou no cavalo, tirou o boné e assim o fez. E tiveram que embarcar Pedrão logo, antes que o povo descobrisse o malfeito e revoltado, o buscasse de volta.
Bem por isso, esbarraram num valor do longínquo agreste, que se levantou em desagrado; um tal de Antônio Conselheiro. E se perderam, vidas, tempo e dinheiros para se exterminar o arrojo e audácia do caboclo revoltoso.
Essa história aí, fez brotar o primeiro grande valor literário na Nação que se formava. A eminência parda intelectual, na cultura brasileira: o Euclydes da Cunha. Muito bom, bom mesmo, mas um chato de se ler, a quem perdoo por haver dito: “são necessárias mais vidas para se conhecer a Amazonia”. Se bem que nada adiantou a tantos governos; e nem a esse…
Tudo isso, não só em tempos e eras passadas. Mas, muito mais no período de aviões, linotipos aposentados, modernismos fotográficos e ciência no campo, que fez com vigor, vicejar valores individuais fenomenais; muitos deles nos deixaram sem maiores reconhecimentos.
Que dirão anais históricos, de um Alyson Paolinelli, grande planejador e mentor, que possibilitou a ascensão da grande produção brasileira do campo? Sendo nosso atual carro chefe na economia e sustento de 1/6 da população mundial.
Após Santos Dumont, que dizer de um Osires Silva, que mostrando um terreno baldio a industriais fabricantes estrangeiros, disse sem tom de promessa, mas afirmando: “aqui vai ter uma fábrica de aviões”. Hoje tem e pareia com outras tantas no mundo.
Na área jurídica então, os arquivos da memória nacional estão repletos de verdadeiros luminares. Começando pelo gênio, também frasista lapidar, Rui Barbosa, abrindo espaços nos registros nacionais para Nelson Hungria, Yves Granda, Bilac Pinto, Pontes de Miranda, Miguel Reale. Justa maioria saudosa ao juízo nacional, como Saulo Ramos.
Numa terra semeada e adubada por notórias sumidades de grandezas autenticas, desde os mais humildes ofícios e tarefas, como explicar havermos chegado a tão grande desqualificação a cargos, onde a primeira exigência seria, notório saber, exemplar honradez, equilíbrio e ponderação?
Torna-se difícil acreditar em como pudemos chegar a isso? Uma composição de verdadeira demonstração da pior condução a necessária segurança jurídico. Que aconteceu?
Quanto aos atores que lá proporcionaram tão deprimentes cenas, que se os abandonem nas descargas da história republicana, estes senhores advindos de maus tempos, haverão de surgir como destruidoras tempestades, mas que sempre passarão.
Quanto a sociedade da Nação, com responsabilidade, deve procurar saber o que nos levou a isso para que nunca mais, jamais, volte a ser, sequer possível acontecer.
Mostraram uma Nação que não somos nós…embora estejam todos acreditando, que não mais cabe o valor da honra e seriedade por aqui.
Que me perdoem meus pais, deveria ter vindo cem anos atrás ou cem depois de tão deprimentes episódios.
BH/Macapá-20/09,2026
*Jose Altino Machado é jornalista

