Créditos: Divulgação
02-09-2026 às 11h18
Fernanda Ventura*
O impacto das redes sociais sobre a saúde mental muda conforme a idade e a forma de uso. Entre adolescentes, a comparação com outras pessoas e a busca por aprovação podem ter maior peso. Na vida adulta, a dificuldade de se desconectar se mistura à rotina profissional e pessoal. Para os idosos, as plataformas podem aproximar familiares e amigos, mas também reduzir o contato presencial quando passam a ocupar esse espaço.
Para a psicóloga Suellen Martins, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, a diferença está no tipo de relação estabelecida com as redes. A exposição frequente a vidas idealizadas, conflitos, notícias e avaliações de outras pessoas pode interferir na autoestima e aumentar a ansiedade, principalmente quando o usuário passa a medir a própria rotina pelo que vê nas plataformas.
“Duas pessoas podem passar o mesmo número de horas na internet e ter experiências completamente diferentes. É preciso observar o que está sendo consumido e, principalmente, o que acontece depois. Se o uso começa a afetar o sono, os relacionamentos ou a forma como a pessoa se enxerga, é um sinal de que essa relação precisa ser revista”, afirma.
Entre adolescentes, esse impacto pode aparecer na comparação com colegas e influenciadores. Corpos, viagens, relacionamentos e conquistas apresentados nas redes criam uma versão editada da vida cotidiana. Curtidas, comentários e seguidores também podem passar a funcionar como indicadores de aceitação.
Os dados da TIC Kids Online Brasil 2024 mostram que a internet também ocupa outro papel entre os jovens: o de espaço para buscar apoio. Quarenta e um por cento dos usuários de 11 a 17 anos disseram que a internet os ajudou a lidar com algum problema de saúde. Entre aqueles de 15 a 17 anos, 38% afirmaram ter procurado ajuda ou conversado sobre emoções quando estavam tristes.
Esse comportamento varia entre os grupos. Entre as meninas, 33% disseram buscar ajuda ou conversar sobre emoções quando estavam tristes, ante 26% dos meninos. A idade também pesa: o índice foi de 38% entre os jovens de 15 a 17 anos, contra 17% entre os de 11 e 12 anos.
Na vida adulta, a relação com as redes ganha outro componente: a dificuldade de separar o tempo pessoal do profissional. Mensagens de trabalho, notícias e interações sociais dividem espaço na mesma tela e podem prolongar a conexão para além do expediente. O problema aparece quando estar disponível passa a ser uma exigência permanente.
Entre os idosos, por outro lado, a tecnologia pode ajudar a manter vínculos que seriam mais difíceis de preservar presencialmente. O risco está no desequilíbrio. Quando o contato virtual substitui quase completamente encontros e outras atividades sociais, a mesma ferramenta que aproxima pode contribuir para o isolamento.
“O alerta não está em usar ou não usar redes sociais. Está na mudança de comportamento. Quando a pessoa deixa de dormir bem, abandona atividades, se isola, fica mais irritada ou passa a verificar as plataformas de forma compulsiva, o uso deixou de ser apenas uma ferramenta de comunicação e passou a interferir na rotina”, afirma Suellen.
A relação entre redes sociais e saúde mental ganha atenção durante o Setembro Amarelo, campanha de prevenção do suicídio. Para a psicóloga, observar essas mudanças pode ajudar a identificar situações de sofrimento antes que elas se agravem, sem atribuir às redes a causa isolada de problemas de saúde mental.
Sobre a Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo
No Brasil desde 1922, a São Camilo pertence à Ordem dos Ministros dos Enfermos, fundada por São Camilo de Lellis. Além de hospitais, conta com Centros de Educação Infantil, Colégios e Centros Universitários.
As Unidades Pompeia, Santana e Ipiranga fazem parte da Rede de Hospitais de São Paulo, que prestam atendimentos em mais de 60 especialidades e cirurgias de alta complexidade em neurologia, cardiologia, transplantes de fígado e musculoesquelético, cirurgias robótica e bariátrica. Por meio da atuação filantrópica, apoiam na manutenção das atividades de vários Hospitais administrados pela São Camilo no Brasil com atendimento ao SUS.

