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31-08-2026 às 17h57
Marcela Rochetti*
No dia 20 de agosto, a Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) sediou a mesa “Desenvolvimento e os Desafios do Século XXI”, integrante da programação do 21º Seminário de Diamantina. O encontro reuniu especialistas para mapear as vantagens competitivas da economia nacional e discutir caminhos para sustentar a resiliência do país diante das transformações em curso no planeta.
A mesa foi coordenada por Carlos Pinkusfeld Bastos, presidente do Cicef, e contou com a participação dos professores Fábio Freitas, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Eliane Araújo, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), e André Roncaglia, diretor-executivo do Brasil no Fundo Monetário Internacional (FMI).
Durante o encontro, os expositores enfatizaram que a agenda de desenvolvimento brasileiro deve se centrar na disposição pelo Brasil de vantagens competitivas sustentáveis, como matriz energética relativamente limpa, capacidade agroalimentar, biodiversidade, minerais estratégicos e um robusto mercado interno. “Vive-se um momento em que é necessário pensar saídas para um modelo de crescimento que considere a inadiável questão ambiental, a equidade social, cuja deterioração recente minou até mesmo as bases do sistema democrático, e as crescentes tensões geopolíticas mundiais”, disse o diretor-presidente do Cicef.
Roncaglia, primeiro expositor da mesa, abordou esses desafios em escala global. O palestrante explicitou as transformações em curso nos organismos internacionais, que vêm flexibilizando posturas ortodoxas antes dominantes, porém ressaltou que tais novas diretrizes ainda encontram resistência para se consolidar no debate econômico brasileiro.
Segundo ele, o mundo adentrou em uma era de “choques simultâneos e conectados”, caracterizada por tensões geopolíticas, disputas comerciais, mudanças climáticas, inteligência artificial e transformações nas cadeias globais de valor. “Em momentos de grandes transformações globais, vale a pena voltar à pergunta fundamental: o que significa desenvolvimento no século XXI?”, afirmou. Nesse contexto, frisou o economista, o desafio principal seria “crescer preservando capacidade de adaptação, autonomia estratégica e, sobretudo, resiliência”.
Já a economista Eliane Araújo analisou a política industrial no Brasil, destacando a tensão entre as dimensões macro e microeconômicas do desenvolvimento. Segundo ela, embora o país tenha formulado e implementado políticas industriais abrangentes neste século, o fracasso em reverter a desindustrialização não pode ser atribuído a falhas de desenho. O comportamento macroeconômico, sobretudo de variáveis cruciais como taxa de juros e câmbio, limitou as possibilidades de sucesso das medidas adotadas.
Por fim, o professor Fábio Freitas discutiu a economia política da transição verde, frisando os impactos econômicos e sociais desiguais das mudanças climáticas. Ele abordou alternativas como decrescimento e estagnação, especialmente seus efeitos sobre países mais pobres e o mercado de trabalho, e apresentou estratégias de crescimento verde, como o Green New Deal e o Environmental Big Push, baseadas em políticas públicas capazes de promover a redução das emissões.
Sobre o 21º Seminário de Diamantina
O 21º Seminário de Diamantina, promovido pelo Cedeplar/UFMG (Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais) entre 17 e 22 de agosto de 2026, em Diamantina (MG), é um evento dedicado ao debate sobre os rumos do desenvolvimento do Brasil. Com o tema “Planejamento, monitoramento e avaliação de políticas públicas”, o encontro reúne bianualmente pesquisadores, estudantes, gestores e especialistas para discutir transformações econômicas, sociais, tecnológicas, demográficas, ambientais e geopolíticas, por meio de minicursos, mesas temáticas, workshops, conferências e apresentações de pesquisas.
Evento: 21º Seminário de Diamantina
Data: 17 a 22 de agosto de 2026
Local: Diamantina (MG), com atividades na UFVJM e na UEMG
Realização: Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional – Cedeplar/UFMG
Patrocínio: Open Society Foundations; FenaSaúde; NIC.br; CGI.br; Funep; Ipea; BNDES
Apoio: Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento; Ipead FACE-UFMG; CNPq; Capes; Corecon-MG; Prefeitura Municipal de Diamantina
Informações: https://diamantina.cedeplar.
Sobre o Centro Celso Furtado
Reconhecido como uma Instituição de Ciência e Tecnologia (ICT), o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento, é uma associação civil de direito privado, sem fins lucrativos, dedicada à pesquisa científica e ao desenvolvimento em suas diferentes perspectivas e abordagens. https://centrocelsofurtado.


