Créditos: Freepik
29-08-2026 às 13h38
Giovana Devisate
Viajar é sempre bom. Tem gente que viaja só para curtir, mas eu não consigo. Preciso de mais, preciso de ar, de gente, de cores. A gente aprende muito sobre coisas diversas e entra em contato com culturas diferentes e costumes locais. Vemos de perto as tradições, os hábitos religiosos, as igrejas, as mesquitas, os templos, seus rituais e símbolos. Ouvimos os sons da fé e os ritmos da cidade, com músicos nas ruas, em restaurantes e em casas noturnas. Apreciamos a gastronomia, os pratos típicos, os mercados, os cafés, os restaurantes… E buscamos encontrar restaurantes gluten free por aí! Também provamos sorvetes e gelatos e qualquer sobremesa típica.
Visitamos os museus, as galerias, os ateliês de artistas locais e observamos o que há de arte pela cidade. Podemos apreciar as paisagens naturais e urbanas. Visitamos as praias, as cachoeiras, as estradas, as montanhas… Observamos a arquitetura, os detalhes dos prédios históricos e o contraste deles com as construções mais recentes. Olhamos se as construções antigas são bem preservadas e restauradas, se os locais públicos recebem frequente e boa manutenção e se as ruas são limpas e acessíveis.
A gente caminha pelas feiras e lojas de rua para observar o comércio local, comprar lembrancinhas e ver os movimentos, sentir os cheiros e observar como as pessoas se vestem e o que é vendido nas lojas da cidade, especialmente nas lojas de marcas tradicionais. Isso nos ensina bastante sobre técnicas artesanais, tecidos e códigos de estilo particulares dali.
Viajar nos permite, ainda, ver o funcionamento da cidade: como as pessoas se relacionam com a vida e com os espaços públicos, como transitam entre os lugares e como se movimentam pelo lugar onde vivem. Também, como é o idioma, o sotaque, o ritmo de fala; como tratam os turistas, as visitas, os viajantes; como utilizam os recursos e as referências culturais como influência… É interessante entender como o lugar se apresenta e se vende para os turistas e para o mundo.
A partir disso, também podemos conhecer a história do lugar, porque entendemos o que a cidade escolheu preservar com o tempo e como transformou determinados assuntos e temas em coisas a serem celebradas ou esquecidas. Afinal, nem tudo que é histórico vira patrimônio…
Recentemente, em viagem pelo sudeste europeu, passei uns dias em Montenegro. Na baía de Kotor, existem coisas que jamais saberia, se não viajasse para lá. Paisagens belíssimas, água azul esverdeada e cristalina, falésias e montanhas vistas do mar, com casarões que iam sumindo entre os piscares de olhos, durante os passeios de barco… tudo isso era esperado. O que me surpreendeu, foi algo que surpreenderia a todos!
Saímos de Kotor e fomos navegando pela baía. Em determinado momento, o barco parou em um lugar que, de longe, parecia um buraco na pedra, uma abertura na montanha. Na verdade, o marinheiro nos explicou calmamente: aquilo era um túnel que servia de esconderijo para submarinos, durante a Guerra Fria.
De longe, o túnel não parecia tão importante, mas a antiga Iugoslávia o construiu para esconder e proteger os seus submarinos, durante a Guerra Fria. Na época, a embarcação entrava pela abertura, que tinha uma porteira camuflada com plantas e pedras. Quando fechada, os submarinos ficavam completamente escondidos lá dentro.
Na região, existem três túneis como esse que visitei, que só são acessíveis de barco! Eles são vestígios de uma guerra e de um período tão importante da história mundial e, atualmente, servem como registro da estratégia de defesa da Iugoslávia durante a Guerra Fria, evidenciando o papel do país durante o conflito e nos mostrando as tecnologias militares existentes na época.
Fico imaginando a engenharia complexa da época para construir coisas assim. Os túneis são grandes, em profundidade, largura e altura! Ainda necessitavam desse mecanismo de abertura, com disfarce, dobradiças e pedras falsas, para tornarem esses esconderijos invisíveis a aviões e satélites.
Hoje, esses lugares se tornaram pontos turísticos que atraem turistas de todo o mundo, especialmente os interessados por história e os curiosos por fatos que envolvem a Segunda Guerra Mundial, a Guerra Fria e a Guerra da Iugoslávia. Quando fechei a viagem para lá, não tinha pensado que ia visitar esses cantos, mas acredito que seja mesmo fundamental, uma vez estando lá, para entender a dimensão das histórias que mudaram o rumo da humanidade.
Nesses últimos dias, andei pensando em como é realmente incrível que um lugar que atualmente faz parte de um passeio turístico tenha sido, antes, uma instalação militar secreta. Acessível, que pode nos proporcionar boas memórias, conhecimento e uma experiência incrível de vida. É isso que tanto amo em viajar: conhecer a história e o lugar e ainda me aprofundar em tudo o que existe por trás dele, quando possível.

