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02-08-2026 às 15h22
Fernando Neto*
O Brasil é, e continuará sendo, um país estratégico para o próximo ciclo econômico mundial, diante do avanço dos blocos econômicos organizados em torno de interesses comuns e mecanismos de autoproteção, do fortalecimento do multilateralismo e da reconfiguração da ordem mundial, que redefine o protagonismo de países líderes e emergentes. Caberá ao Brasil posicionar-se no cenário mundial, reconhecendo sua relevância e suas riquezas.
Estamos entre as dez maiores economias mundiais. Detemos uma das maiores disponibilidades hídricas do mundo, figuramos entre os maiores produtores de alimentos, entre os maiores países em extensão territorial e entre os maiores produtores de energia, incluindo a energia verde. Somos detentores de uma das maiores empresas de petróleo do mundo e possuímos um enorme déficit em logística e infraestrutura. Temos uma população média com força de trabalho ativa e um sólido ambiente científico, qualificado e especializado. Somos um dos maiores exportadores de conhecimento do mundo em diversas áreas e um dos maiores em commodities.
O maior país e a maior economia da América Latina tornam o Brasil líder e responsável por alavancar a economia do continente. A extensa fronteira seca e todo o litoral oceânico do Atlântico é rota estratégica e porta de entrada e saída para a América do Sul, África e Europa. O bloco do Mercosul e o acordo com a União Europeia tornam o Brasil líder continental por geografia e destino, consolidando-o como a principal referência regional e como o país de maior impacto nas decisões da região. Este Brasil latino, multipolar e continental, é força motriz e mola propulsora dos interesses internacionais de diversos países.
Essa composição conjuntural afeta positiva e negativamente o mercado interno. Esse mercado será cada vez mais influenciado pela composição de interesses da economia mundial e pelo crescimento exponencial da tecnologia e da IA. Temos um mercado consumidor expressivo. Não competimos com a China ou a Índia, mas possuímos população comparável à dos Estados Unidos, México, Nigéria, Paquistão. Somos mais populosos que o Japão, Egito, Etiópia, Bangladesh e, em um mundo cada vez mais conectado e globalizado, o mercado privado e os setores de liderança nacional competem com mercados internacionais interessados neste celeiro.
Empresas e mercados que se organizarem e permanecerem conectados com o mundo presente e futuro podem, além de proteger a economia interna e seus resultados, ampliar seu faturamento e alcance de mercado, potencializando investimentos próprios, estatais e internacionais. É evidente que este novo momento mundial exigirá do setor público e do poder político visão de Estado, olhar de grandeza e muito planejamento. Nossos maiores gargalos são também as melhores oportunidades de organização de uma nova elite econômica de projeção mundial. Não seria uma grande novidade, olhando para o passado recente e relembrando que o Brasil já foi um dos maiores exportadores de tecnologia de construção, engenharia pesada e de alta tecnologia de exploração de petróleo.
O momento é de crescimento e muita riqueza; precisamos aproveitar o cenário e antecipar os acontecimentos.
*Fernando Neto é sócio Fundador F3 Holding e Controlador do Grupo Atual S/A

