Lula e Flávio Bolsonaro tem altos índices de rejeição - créditos: divulgação
31-07-2026 às 08h07
Por Samuel Arruda*
Brasília – A definição do nome que irá compor a chapa presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) continua sendo um dos principais desafios internos do Partido Liberal. A poucas semanas do prazo estabelecido pela direção da campanha, diferentes alas do partido disputam espaço na escolha da candidatura à Vice-Presidência, refletindo divergências sobre a estratégia eleitoral para ampliar o alcance da chapa.
Segundo relatos de integrantes do PL, cresce a avaliação de que a vice deve ser uma mulher, numa tentativa de reduzir a rejeição do senador entre o eleitorado feminino e ampliar o diálogo com segmentos onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém vantagem. O próprio Flávio Bolsonaro já declarou preferência por uma candidata mulher para a composição da chapa.
Entre os nomes discutidos nos bastidores está o da deputada federal Bia Kicis (PL-DF), além de outras lideranças femininas do campo conservador. A definição, entretanto, ainda depende de negociações internas e da construção de alianças com partidos do chamado Centrão.
Outro fator que tem dificultado a escolha é a necessidade de pacificar divergências dentro do próprio grupo bolsonarista. O desgaste público envolvendo Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro aumentou a pressão sobre a campanha para apresentar uma composição considerada capaz de unificar a base conservadora.
Pesquisas mostram disputa competitiva
As pesquisas nacionais mais recentes indicam uma eleição bastante polarizada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro.
Levantamento AtlasIntel/Bloomberg, divulgado em 29 de julho, mostra Lula com 49,2% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 42,9% de Flávio Bolsonaro.
Já uma pesquisa Datafolha, divulgada na semana anterior, apontou Lula com 48%, enquanto Flávio Bolsonaro registrou 43% no segundo turno, mantendo vantagem estável para o atual presidente.
Em alguns levantamentos de primeiro turno, entretanto, a diferença é menor. Pesquisa GERP/AESP registrou empate em 36% entre Lula e Flávio Bolsonaro, indicando uma disputa competitiva na largada da campanha.
Desafio eleitoral
Analistas avaliam que a definição da vice será decisiva para a estratégia do PL. A expectativa é que o partido escolha um nome capaz de fortalecer a presença entre mulheres, evangélicos e eleitores moderados, sem provocar novos atritos dentro do bolsonarismo. Enquanto isso, a campanha de Lula busca consolidar a vantagem registrada nas pesquisas mais recentes e ampliar sua coalizão para a reta final da eleição.
*Samuel Arruda é jornalista e editor de política

