Créditos: Divulgação
15-07-2026 às 14h36
Sérgio Moreira*
Monte Sião conhecida como a Capital do Tricô, vem se destacando no turismo de negócios e das atrações turísticas da cidade. A cidade de 24 mil habitantes produz 3 milhões de peças de tricô por mês e exporta para grifes de Paris e Milão , além de vários estados, sendo um “exportador” com seu diversificado vestuário das confecções.
Monte Sião está a 470 Km de Belo Horizonte, a 470 Km do Rio de Janeiro e a 160 da capital paulista. O centro da cidade encanta os turistas com a praça Prefeito Mário Zucato, com as árvores nos caneiros com diversos desenhos, como televisão, elefante, corações, dinossauro, entre outras podas paisagísticas. As pessoas tiram fotos sensacionais, com as diversas podas nas árvores.
Ao lado está o Santuário de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, está situada a primeira Igreja do mundo dedicada a esta devoção mariana e onde, por intercessão da Virgem, a população viu acabar um período de seca.
Em 1830, na França, Nossa Senhora apareceu para a irmã Catarina de Labouré e lhe pediu que cunhasse medalhas conforme lhe era mostrado: a Virgem com os braços estendidos, dos quais saiam raios de luz, em pé sobre um globo, pisando em uma serpente, com a inscrição “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós” ao seu redor; na parte de trás, a letra “M” com uma cruz por cima e, em baixo, o coração de Jesus, rodeado por uma coroa de espinhos, e o coração de Nossa Senhora, transpassado por uma espada, e ao redor, doze estrelas.
À religiosa, Maria prometeu abundantes graças aos que usassem essa medalha. A devoção logo se espalhou pelo mundo e chegou ao Brasil. Já em 1849 – apenas 19 anos após as aparições na França –, foi construída a primeira Igreja dedicada à Medalha Milagrosa, em Monte Sião (MG).
No ano das aparições da Virgem à santa Catarina Labouré, a região de Monte Sião era habitada por cerca de 105 famílias católicas, não havia igreja nem padre e a comunicação era precária. Mas, os relatos indicam que, por volta de 1838, quando o lugarejo foi “elevado a arraial do Jabuticabal, a devoção da Medalha Milagrosa já estava ali”.
Em 29 de março de 1849, foi autorizada a edificação da capela de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa. Sua respectiva bênção oficial ocorreu a 13 de abril de 1850.
Entretanto, a história mais marcante das graças concedidas a esse povo pela Virgem Maria se deu em torno da imagem de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa do altar-mor da igreja. A peça foi trazida de Portugal, em 1860, e, em 1937 foi retirada de lá, a pedido do então bispo, pois possuía traços femininos e sensuais que delineiam seu busto e cintura.
A imagem foi levada para uma capela na zona rural e os fiéis logo sentiram por sua ausência. Após essa data, a cidade “foi assolada por uma grande seca”, até 1939. Segundo relatos, chovia normalmente em todas as cidades da região, menos em Monte Sião, e o povo associava a falta de chuva, à ausência da imagem da padroeira.
Foi então que um grupo de fiéis decidiu solicitar ao padre que a imagem fosse colocada novamente no altar-mor e, após muito questionamento foi permitida a volta da imagem da padroeira.
Isto aconteceu no dia 5 de novembro de 1939. Era uma tarde ensolarada, quando a procissão composta pelo pároco, autoridades, banda de música e principalmente o povo, trazia o andor com a imagem da padroeira. Chegando na entrada da cidade começou a cair os primeiros pingos e em seguida uma grande chuva, fazendo com que a própria imagem e os seus fiéis devotos entrassem na igreja todos molhados. O episódio ficou conhecido como “Dia do Milagre da Chuva”. A partir de então, as plantações prosperaram, as criações não morreram mais e o ciclo da chuva voltou ao normal.
Esta foi a primeira das muitas graças que a população de Monte Sião recebe ainda hoje sob a intercessão de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa.

Santuário da Medalha Milagrosa, em Monte Sião
A história desse lugar e o grande fluxo de devotos que recebe fizeram com que, em 5 de novembro de 1999, igreja matriz fosse elevada a Santuário de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, um local que vive com especial fervor o dia 27 de novembro, ao celebrar sua padroeira.
A poucos minutos a pé, no Largo do Rosário, fica a Igreja do Rosário. A Igreja Nossa Senhora do Rosário, é um marco histórico da cidade. Inaugurada em 1955, ela foi construída no lugar de uma antiga capela de pau a pique do século XIX, graças à forte união e doação dos moradores
Na “Capital do Tricô” , o barulho das máquinas de malha atravessa vitrines, oficinas e casas, a costura mudou a rotina da cidade do sul de Minas. A história recente de Monte Sião se confunde com linhas, máquinas e famílias que aprenderam a transformar habilidade manual em renda. A tradição do tricô ganhou força a partir da produção doméstica e se espalhou pelas ruas, criando uma economia urbana com cara de ateliê.
A cidade reúne mais de 1,5 mil empresas ligadas a malhas e tricô. O número ajuda a explicar por que uma cidade pequena aparece no mapa de compradores, lojistas e marcas internacionais. A Capital do Tricô virou referência nacional porque uniu produção intensa, comércio de rua e identidade reconhecida em lei federal. Em 2023, a Lei 14.699 concedeu ao município o título de Capital Nacional da Moda Tricô. O reconhecimento oficial não nasceu de um slogan vazio. A cidade produz cerca de 3 milhões de peças por mês e abastece lojas no Brasil e fora dele
O turista pode caminhar pelas ruas do comércio:, onde concentra lojas de malhas, tricô e peças de inverno, com movimento maior na temporada fria, nos meses de maio, junho e julho.
Outro ponto que chama a atenção é a Porcelana Monte Sião, fábrica iniciada em 1959 , que destaca como a única fábrica do Brasil que produz porcelanas azul e branca de forma 100% artesanal. marca tornou-se um patrimônio histórico e cultural do estado, famosa por suas louças utilitárias e decorativas com estética colonial inspirada no estilo português.
Na fábrica tem uma loja com todos os produtos de centenas de criações feitas pelos artesão.

*Coluna Minas Turismo Gerais
Jornalista Sérgio Moreira
@sergiomoreira63
Informações para: sergio51moreira@bol.com.br

