Créditos: Divulgação
12-07-2026 às 08h43
José Altino Machado*
Em Rondônia, notável engenheiro de minas soube bem observar, que aquele, então, território, provia a autossuficiência nacional, com produção caseira, do minério de cassiterita, com elevado teor de estanho. Toda atividade ocorria em quase uma dezena de lugares daquela região. Vou repetir, o Brasil supria sua necessidade em estanho.
Bem-nascido e sabido como qualquer mineirinho, registrou possível ganho de fortuna, apesar de estar em exploração, por mais que vintenários mineradores adjetivados como garimpeiros.
Bem próximo dali, em distâncias amazônicas, não mais do que quinhentos quilômetros, se encontrava a já concordatária à beira da falência uma empresa de nome Paranapanema, cujo proprietário maior era um simpaticíssimo senhor, milagre para paulista, chamado Otavio Lacombe.
Não deu outra… alguém pagaria por isso, pois se aliavam duas feras sabidas; uma faminta e outra necessitada.
Assim, sendo este último, amigo de um “fí” de rei, logo a seguir, em qualquer dia do ano de 1975 o senhor Ministro de Minas e Energia, Antônio Dias Leite baixa uma portaria de nº 195, que proibia a exploração daquele minério, através dos vulgos garimpeiros, com imediatos direitos transferidos a ele.
E o filho da… sou eu.
Mas, para que tudo isso fosse possível seria necessário diferentemente do governo de agora, que joga povo na sarjeta, retirar para outros recantos aqueles homens que ali trabalhavam.
Governo de então, militar, levou em conta que se tratando de homens, há necessidade de alternação, no momento e instante, pois careceriam prover suas famílias em dias seguintes. Portanto deveriam seguir para outro lugar onde pudessem proporcionar sustento da vida.
Conivente ao maior espianto acontecido na nação brasileira, foi disponibilizado tudo que havia para transporte. Fossem asas ou barcos, para a retirada de tanta gente daquele local.
Só o vale do Tapajós (Itaituba) recebeu milhares e mais milhares. Lotação a curto prazo esgotada igual àqueles velhos cinemas que exibiam filmes mudo, pois pasma e muda, ela também ficou.
E o filho da… sou eu.
Outro lugar havia, onde se faiscavam diamantes e algumas poucas graminhas de ouro. Roraima!!! Território então dirigido e administrado pela própria Forca Aérea que transportava aqueles eleitos a seguirem na marra.
Uma coisa todos esqueceram. Ali estavam os representantes de uma mais que secular atividade que sempre trabalharam, sem nenhum vicio de dependência de governo e sem nenhum costume de se verem providos por qualquer tipo de favor ou mendicâncias. E não deu outra…
Alguns deles partiram rumo, em termos de recursos minerais, à virgem Venezuela. Outros, que ainda também eram muitos, saindo das savanas roraimense, seguiram rumo às florestas do que conhecemos hoje como sistema de serras Parima.
A resposta da atividade de trabalho útil e sem corrupção foi imediata. Na Venezuela, aqueles expatriados descobriram ouros e diamantes em quantidades tão formidáveis que eles e seus descendentes, até em dias de hoje, puderam trazer sustento a economia popular daquele país, encarando o loirão Trump.
E mais, por isso, eles mereceram, por parte dos que ficaram, serem homenageados com aquele baita monumento ao garimpeiro que adorna a praça central da capital conhecida como Boa Vista.
O que aprontaram aqueles que ficaram? Logo, logo, também puderam mostrar ao mundo uma das maiores riquezas minerais em um só canto do planeta. E a vingança foi maior. Ali, as minas da tal cassiterita não só eram infinitamente maiores como de teor elevado e alcançando números absurdos. Mais, vindo acompanhado de ouro, que bancava e banca toda a extração lá até os dias de hoje.
E o filho da… sou eu, se relegando ao esquecimento aqueles que os turbaram e trouxeram?
Poucos anos após tais descobertas, se intromete valente e poderoso, pelo cargo que ocupava, o brigadeiro Ramos Pereira, que, se achegando sorrateiramente, propunha a todos que lá estavam deixarem a área para que o estado pudesse se organizar. Isto porque, em seu entendimento, a bagunça estava grande. Isso aí sei por que. Ele tinha cara de nunca haver trabalhado. E todos nós acreditamos.
E o filho da … sou eu!!!
Porém, logo a seguir ele convoca a, então, empresa pública, conhecida como Vale do Rio Doce para explorar toda riqueza encontrada.
Vale ressaltar que até este momento naqueles altos não existia ocupação indígena. Nem poderia oficialmente sê-lo, porque legalmente a Constituição vedava reserva indígenas em áreas de fronteira.
A Vale se apossando de um aeródromo construído com recursos e esforços dos apelidados garimpeiros lá construiu um baita posto e alojamento para os seus serviços de assistência à saúde e com a Funai como filha em si grudada, preguiçosa de ir à cata de quem deveria assistir, proveu a tudo um espetacular posto de atração aos indígenas que habitavam os interflúvios Catrimani, Couto Magalhães e Urariquera.
Aí, sim, a grande riqueza nacional, por responsabilidade dos tais “competentes” civilizados, recebeu um fenomenal complicador dentro do regime legal para qualquer desentrave no sentido de continuar a exploração.
A companhia com tudo documentado e certinho por lá ficou praticamente cinco anos.
25 de agosto de 1984, lá estava eu em pleno Comando Militar da Amazonia (CMA) a receber uma honraria e distinção por aquela unidade militar.
Nem poucos dias depois ainda em agosto, que é o mês do desgosto, li em jornais oficiais que a Vale do Rio Doce desistia do Parima e informava que naquele grande rincão não existia absolutamente nada de interesse econômico, que valesse sua exploração.
Só que naquele mesmo finzinho de agosto, aparece junto ao então Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) requerimento logo concedido à empresa Delphos Engenharia, de propriedade de ninguém menos do que filho do então presidente da Vale do Rio Doce, senhor Eike Batista. Acompanhado na sociedade pelo então filho do ministro dos Transporte, senhor Mario Andreazza.
Já imaginando que o filho da… seria eu, já planejava minha discordância. Apenas discordei. Assim também não.
Bom, aprontei tanta merda que, aqui hoje, não dá para contar.
Só que anos após as ditas merdas, voltamos a reconquistar a territorialidade do lugar. Ficando apenas excluída, a nossa pista do Surucucus, em poder do exército brasileiro.
Surpresos nos deparamos em vários pontos de toda a região de uma quantidade notável de índios enfermos, alguns famintos e com uma grande necessidade de assistência.
A primeira providencia que tomei foi pedir encarecidamente a todos os meus colegas da aviação, que, ao retornarem vazios, mandassem que procurassem todo e qualquer índio doente, de criança a idoso, coisa inexistente entre Ianomamis, e os levassem para tratamento em Boa Vista. Questionado sobre quem os traria de volta, já que todos os colegas voltavam sempre carregados, disponibilizei avião apenas a essa finalidade.
Sabendo apenas observar, cuidar a vida em homens em trabalho, fui de uma inocência gritante. Com aquele monte de doentes nas mãos procurei um bispo, sacana, mas, bispo, pedindo que ajudasse os esforços do tratamento uma vez que havia muitas crianças e mulheres envolvidas.
Vale aqui ressaltar, que não havia entre eles NENHUM, com qualquer tipo de doença transmissível pelas gentes que ocupavam as áreas vizinhas.
Mal sabia que estava pedindo ajuda a um estrangeiro endiabrado que, ao invés de ajudar, politizou o fato e preferindo sair e exibir ao mundo a precariedade que se encontravam aqueles índios até então obrigatoriamente a serem cuidados pelo governo (Funai) ou talvez por ele próprio, que se apresentava como o pai de gentios e vinha propondo junto a ONU autonomias políticas a eles.
É interessante observar que, até em relatos atuais, o número dessa etnia, tem aumentado de forma impressionante. Jamais foram mais de 7 mil.
E o filho da… sou eu!!!
Importante aqui ressaltar que no passado, este mesmo povo, em outro estado, o Amazonas, desde 1915 teve sua maior porção cuidada por outra Ordem, a dos padres Salesianos. Convivendo com garimpeiros, militares, a sociedade e ninguém padeceu ou padece doente.
Quanto aos de Roraima, nunca tendo liderança unificada, por decreto “bispal da Consolata”, sequer se deve mexer com a cultura deles, apesar de seus costumes não lhe darem expectativa de vida maior que 32/35 anos. Importando também, contribuir a isso, procederem sexo com crianças, provocando maternidade precoce.
A ignorância, falta de conhecimento, cultura sobre esse assunto, mal resolvido, e desonestamente administrado, tem matado essa gente. Não nós…
Nesta questão, o filho da puta não sou eu…
Macapá-Belo horizonte 12/07/2026
*José Altino Machado é jornalista
Nota: Todas as afirmações acima estão oficialmente embasadas e documentadas nos órgãos pertinentes. Na sequência, o Brasil passou a importar estanho por um bom e longo período.

