Belo Horizonte, capital de Minas Gerais - créditos: divulgação
06-07-2026 às 18h00
Por Soelson B. Araújo*
Poucos jornais brasileiros podem orgulhar-se de possuir uma trajetória tão rica, tão influente e tão profundamente entrelaçada com a história de seu Estado quanto o Diário de Minas. Celebrar seus 160 anos é celebrar a própria evolução da imprensa mineira, da vida política, da cultura, da literatura e do pensamento democrático que ajudaram a construir Minas Gerais.
Tudo começou em 06 de julho de 1866, quando o comerciante e tipógrafo J. F. Castro, proprietário de uma modesta oficina gráfica em Ouro Preto, então capital da Província de Minas Gerais, ousou transformar um sonho em realidade. Ampliou sua tipografia, adquiriu equipamentos modernos para a época e colocou em circulação o primeiro jornal diário dos mineiros, em formato standard, com quatro páginas, inaugurando uma nova fase da comunicação no Estado.
Nascia ali um veículo destinado não apenas a informar, mas a influenciar gerações, formar opinião e participar ativamente dos grandes acontecimentos que moldariam Minas e o Brasil.
Desde suas primeiras edições, o Diário de Minas distinguiu-se pelo pioneirismo. Defendeu a modernização da imprensa, apoiou causas libertárias, posicionou-se em favor da abolição da escravatura e, posteriormente, da implantação do regime republicano. Em uma época em que a notícia viajava lentamente por estradas precárias e longas distâncias, o jornal tornou-se uma verdadeira ponte entre os acontecimentos e a sociedade mineira.
Depois de sua marcante fase em Ouro Preto, o Diário de Minas transferiu-se para Juiz de Fora, ampliando sua influência editorial e política. Sob a liderança do jornalista e jurista Antônio Augusto de Lima, o jornal tornou-se um dos mais firmes defensores da transferência da capital de Minas Gerais para Belo Horizonte. Não era apenas uma mudança geográfica; representava um projeto de futuro para um Estado que desejava acompanhar a modernidade da jovem República.
A história haveria de confirmar essa visão. Nomeado presidente da Província — posteriormente governador de Minas Gerais — Antônio Augusto de Lima conduziu a delicada transição entre Ouro Preto e Belo Horizonte, permanecendo para sempre como um dos grandes estadistas mineiros.
Outro personagem de extraordinária importância nessa trajetória foi Francisco Antônio de Sales, que também assumiu o comando do Diário de Minas. Homem público de rara capacidade administrativa, exerceu a Presidência de Minas Gerais, foi senador da República, ministro de Estado e teve participação decisiva na consolidação política da nova capital. Sob sua liderança, o jornal fortaleceu ainda mais sua influência na vida pública mineira, tornando-se uma das principais vozes da República nascente.
Já instalado em Belo Horizonte, o Diário de Minas transformou-se definitivamente em patrimônio da imprensa brasileira. Em suas redações trabalharam homens que escreveram a história do jornalismo, da literatura e da política nacional.
Mendes Pimentel, intelectual brilhante e fundador da Universidade de Minas Gerais, utilizou as páginas do jornal para defender a educação como instrumento de transformação social. Carlos Drummond de Andrade, ainda jovem, encontrou no Diário de Minas um espaço privilegiado para desenvolver seu talento, tornando-se posteriormente um dos maiores poetas da língua portuguesa e um dos mais respeitados jornalistas do país.
Vieram depois outras administrações igualmente marcantes, como Noraldino de Lima, José Aparecido de Oliveira, diplomata de projeção internacional, Marílio Brandão, além do período histórico em que o jornal integrou o grupo da Rádio Itatiaia, presidido pelo repórter, Januário Carneiro; e depois teve como seu último presidente, o ex-ministro Ibrahim Abi-Ackel, preservando sua tradição editorial e sua influência na vida pública mineira.
Ao longo de sua existência, o Diário de Minas nunca foi apenas um jornal. Foi escola de jornalismo, tribuna do pensamento livre e espaço permanente para escritores, cronistas, articulistas, comentaristas e intelectuais que ajudaram a interpretar Minas Gerais em diferentes épocas.
Suas páginas acolheram nomes que marcaram profundamente o jornalismo brasileiro e abriram espaço para novas gerações de profissionais comprometidos com a ética, a responsabilidade e o interesse público. O DM acompanhou guerras, revoluções, mudanças de regimes políticos, transformações econômicas, o nascimento de Belo Horizonte, a industrialização do Estado, a redemocratização do Brasil e a chegada da era digital.
Poucas instituições de comunicação conseguiram atravessar tantas gerações mantendo intacta sua credibilidade.
Hoje, o Diário de Minas escreve um novo capítulo de sua história.
Sob a liderança do empresário, político, jornalista e escritor Soelson Barbosa Araújo, o primeiro jornal diário dos mineiros renasce mais uma vez. Não como uma simples continuidade de sua tradição, mas como a reafirmação de sua vocação pioneira. O impresso deu lugar à velocidade da informação digital, sem abrir mão dos valores que sempre o distinguiram: independência, responsabilidade editorial, pluralidade e compromisso com a verdade, chegando a alcançar 2,4 milhões de leitores e 5 milhões de visualizações mensalmente conforme métrica do Google Analytics.
É a volta para o futuro.
O Diário de Minas chega ao ambiente digital levando consigo 160 anos de experiência, memória e credibilidade, falando agora não apenas para Minas Gerais, mas para leitores espalhados pelo Brasil e pelo mundo.
Essa nova etapa somente é possível graças ao trabalho coletivo de uma equipe comprometida com a excelência jornalística. O reconhecimento estende-se aos mais de noventa colunistas, cronistas, articulistas e comentaristas que enriquecem diariamente o conteúdo do jornal, transformando-o em um dos mais respeitados portais de informação de Minas Gerais que vai além da notícia. Trazendo em sua plataforma o DMdat – Departamento de Pesquisas de opinião e DM – Publicações Legais.
Uma homenagem especial merece o diretor de Redação, Tito Guimarães Filho, cuja competência, experiência e dedicação preservam diariamente a qualidade editorial que sempre distinguiu o Diário de Minas.
O mesmo reconhecimento dirige-se ao presidente do Conselho Editorial, Paulo Roberto Cardoso, guardião da linha institucional do jornal e de seus princípios históricos.
E um agradecimento igualmente especial à editora Digital, de Marketing e Redes Sociais, Bárbara Elce Mendes Araújo, cuja visão inovadora aproxima uma história iniciada na tipografia do século XIX das mais modernas plataformas de comunicação do século XXI.
Os 160 anos do Diário de Minas pertencem também aos milhares de leitores que, ao longo das gerações, confiaram na palavra impressa — e agora digital — deste extraordinário veículo de comunicação.
Poucos jornais conseguem atravessar um século e meio mantendo viva sua identidade.
O Diário de Minas conseguiu.
Porque sua história nunca foi apenas a de um jornal.
É a história de Minas Gerais narrada por quem sempre acreditou que informar é também construir cidadania, preservar a memória, defender a democracia e preparar o futuro.
Que venham os próximos 160 anos.
O Diário de Minas continuará cumprindo sua missão: informar com responsabilidade, formar consciências e honrar, todos os dias, o legado daqueles que fizeram da imprensa mineira um dos maiores patrimônios culturais do Brasil.
*Soelson B. Araújo é empresário, jornalista, escritor e membro da ALVA – Academia de Letras do Vale do jequitinhonha

