Créditos: wayhomestudio no Magnific
25-06-2026 às 11h39
Gabriela Araújo*
Seja no estádio, em um bar ou reunido em casa com os amigos, assistir a uma partida de futebol costuma vir acompanhado de petiscos, embutidos e bebidas alcoólicas. Mas esse hábito, comum entre torcedores, merece atenção. O levantamento publicado no European Heart Journal, que integra o estudo NutriNet-Santé, conduzido na França, mostra que o consumo elevado de alimentos industrializados e ultraprocessados está associado a um maior risco de hipertensão arterial e doenças cardiovasculares. Diante desse cenário, o Departamento de Hipertensão Arterial (DHA) da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) faz um alerta para os excessos justamente em momentos de lazer, quando as pessoas tendem a relaxar também na alimentação.
O levantamento analisou dados de mais de 112 mil voluntários ao longo de sete a oito anos e identificou que os participantes que consumiram as maiores quantidades de conservantes não antioxidantes, compostos usados para inibir o crescimento de microrganismos como bolores e bactérias, tiveram risco 29% maior de hipertensão do que o grupo de menor consumo.
A Dra. Erika Campana, presidente do DHA, ressalta que o problema não está em aproveitar ocasionalmente esses alimentos, e sim no consumo exagerado e recorrente. A combinação entre cerveja, refrigerantes, cachorro-quente, sanduíches, salgadinhos, frios e outros alimentos industrializados e ultraprocessados, pode parecer inofensiva durante os 90 minutos de jogo de futebol, mas a frequência e a quantidade consumidas fazem diferença para a pressão arterial.
“O mais importante é o equilíbrio. Quem ainda não é hipertenso também precisa cuidar da alimentação para evitar alterações na pressão arterial ao longo da vida. Esse cuidado deve ser ainda maior para quem possui histórico familiar de doenças cardiovasculares, já que essas pessoas apresentam maior predisposição ao desenvolvimento da doença”, explica a presidente do Departamento de Hipertensão Arterial.
Ainda, para a médica cardiologista, a recomendação não é deixar de aproveitar os momentos de confraternização, mas fazer escolhas mais conscientes. Alternar bebidas alcoólicas com água, moderar o consumo de alimentos ultraprocessados e incluir opções mais naturais já contribuem para reduzir os impactos na saúde cardiovascular, especialmente na pressão arterial. “Jogos de futebol são momentos de celebrar, vibrar e reunir pessoas. O coração também participa dessa festa e merece atenção. Aproveitar o momento com responsabilidade é a melhor forma de continuar torcendo por muitos campeonatos”, finaliza a Dra. Campana.
Sobre o Departamento de Hipertensão Arterial da SBC
Criado no início da década de 1980, o Departamento de Hipertensão Arterial (DHA) é um braço da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) dedicado ao estudo, diagnóstico, tratamento e prevenção da hipertensão arterial (pressão alta). Ao longo de mais de quatro décadas, tornou-se uma das principais referências científicas e institucionais do país, com papel central na organização do conhecimento e na qualificação da prática clínica no Brasil. Atualmente sob a presidência da Dra. Erika Campana, no biênio 2026/2027, o departamento estabelece como missão a prevenção, inovação e educação médica continuada. Como parte desse compromisso, promove o 21º Congresso do Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (DHA/SBC), de 13 a 15 de maio de 2027, em Goiânia (GO). O encontro, realizado junto ao 7º World Hypertension Congress, da World Hypertension League (WHL), será o maior congresso de hipertensão já realizado no Brasil e um dos mais relevantes da América Latina, reunindo especialistas, pesquisadores, gestores de saúde, profissionais multiprofissionais e lideranças médicas de diversos países para debater os avanços e desafios no enfrentamento da hipertensão arterial.

