Embarcação centenária, Benjamim Guimarães reformada e restaurada - créditos: divulgação
31-05-2026 às 11h40
Samuel Arruda*
A histórica embarcação Benjamim Guimarães voltou a ser o centro das atenções em Pirapora durante as comemorações de seus 114 anos de existência neste domingo 31-05. Símbolo maior da navegação do Rio São Francisco e patrimônio cultural de Minas Gerais, o vapor segue despertando emoção, orgulho e sentimento de pertencimento entre os moradores da cidade, que veem na embarcação um dos mais importantes marcos de sua história.
Além da prefeitura de Pirapora, poucas pessoas sabem que a bandeira pela reforma e restauração desta embarcação centenária, dentre outros poucos, foi levantada por este jornal Diário de Minas. Respaldada no apoio irrestrito da SOAMAR MG, Sociedade dos Amigos da Marinha de Minas Gerais, na pessoa de seu presidente, doutor Paulo Roberto Cardoso, que em seguida buscou o apoio da própria Marinha do Brasil, responsável pelas águas interiores.
Construído em 1913 nos Estados Unidos pelo estaleiro James Rees & Company, o Benjamim Guimarães navegou inicialmente pelo Rio Mississippi e pela Bacia Amazônica antes de chegar ao Norte de Minas na década de 1920. Desde então, tornou-se parte inseparável da paisagem de Pirapora e da memória do povo barranqueiro, acompanhando o desenvolvimento econômico e social da região ao longo de mais de um século.
As celebrações dos 114 anos acontecem em um momento especialmente simbólico. Após permanecer mais de uma década sem operar e enfrentar um longo processo de deterioração, o vapor foi restaurado e devolvido à população em 2025, em uma cerimônia que marcou também as festividades do aniversário da cidade. A recuperação da embarcação recebeu investimentos superiores a R$ 5 milhões e incluiu a substituição do casco, revisão completa do maquinário, restauração da chaminé, camarotes e das tradicionais rodas de pás que caracterizam o histórico barco a vapor.
Mais do que uma embarcação, o Benjamim Guimarães representa a ligação de Pirapora com o Rio São Francisco, o chamado Velho Chico. Durante décadas, transportou passageiros, cargas e ajudou a integrar regiões inteiras do país, tornando-se uma referência da navegação fluvial brasileira. Hoje, seu valor vai além da função turística: ele é considerado um patrimônio vivo da cultura mineira e um dos últimos testemunhos da era dos vapores que marcaram a história dos rios brasileiros.
As comemorações dos 114 anos reforçam essa dimensão histórica e cultural. Eventos artísticos, apresentações musicais, manifestações da cultura barranqueira e homenagens ao vapor têm mobilizado moradores e visitantes, consolidando a embarcação como principal cartão-postal do município. O retorno do Benjamim Guimarães às águas do São Francisco também fortalece as expectativas de crescimento do turismo regional e da valorização do patrimônio histórico do Norte de Minas.
Aos 114 anos, o Benjamim Guimarães continua navegando não apenas pelas águas do Rio São Francisco, mas também pela memória afetiva de gerações de mineiros. Sua trajetória atravessa séculos, resiste ao tempo e reafirma o papel de Pirapora como uma das cidades mais emblemáticas da história da navegação fluvial brasileira.
*Samuel Arruda é jornalista e articulista

