Créditos: Divulgação
18-05-2026 às 16h37
Sarah Carvalho*
Cerca de 150 mil mulheres em Belo Horizonte podem conviver com lipedema sem diagnóstico, segundo estimativas baseadas na prevalência da doença entre a população feminina brasileira. Caracterizada pelo acúmulo anormal e progressivo de gordura, principalmente nas pernas e braços, a condição ainda é frequentemente confundida com obesidade, retenção de líquido ou até dificuldade para emagrecer, o que acaba atrasando o tratamento adequado.
Nos últimos anos, o aumento da conscientização sobre o tema vem ampliando o número de diagnósticos e impulsionando a busca por tratamentos mais eficazes. Especialistas alertam que o lipedema não se resume a uma questão estética e pode provocar dor, sensação de peso nas pernas, inchaço, hematomas frequentes e limitação funcional.
A cirurgiã plástica Dra. Amanda Costa, referência em cirurgia para lipedema, explica que a abordagem multidisciplinar tem sido fundamental para controlar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida das pacientes.
“A cirurgia redutora de lipedema permite a remoção do tecido adiposo doente, promovendo alívio dos sintomas e melhora significativa na qualidade de vida das pacientes”, afirma.
Segundo a especialista, o procedimento difere das técnicas convencionais de lipoaspiração por preservar estruturas linfáticas e reduzir o trauma nos tecidos.
“Não se trata apenas de uma questão estética, mas de interromper a progressão da doença e devolver funcionalidade à paciente”, explica.
Apesar dos avanços cirúrgicos, os médicos ressaltam que o tratamento do lipedema exige acompanhamento contínuo e mudanças no estilo de vida. A Dra. Paula Ely, dermatologista, nutróloga e especialista em lipedema, destaca que o controle metabólico e inflamatório tem papel essencial nos resultados.
“O lipedema envolve um processo inflamatório crônico. O suporte nutricional adequado antes e após a cirurgia é fundamental para otimizar resultados e reduzir complicações”, afirma.
De acordo com a médica, o acompanhamento inclui estratégias alimentares individualizadas, suplementação e controle hormonal para evitar piora do quadro.
“Após o procedimento cirúrgico, seguimos com o monitoramento para garantir a estabilidade do quadro e evitar o reganho de gordura nas áreas tratadas ou a perda dos resultados obtidos. O tratamento não é pontual, ele exige continuidade”, explica.
Especialistas reforçam que o diagnóstico precoce faz diferença tanto na evolução da doença quanto na resposta ao tratamento. Dor nas pernas, sensação constante de peso, dificuldade de perder gordura localizada mesmo com dieta e atividade física, além de hematomas frequentes, estão entre os principais sinais de alerta.
Com o aumento da informação sobre o tema, médicos avaliam que mais mulheres têm conseguido identificar sintomas que antes eram normalizados ou atribuídos apenas ao ganho de peso. A integração entre cirurgia especializada, nutrologia e acompanhamento clínico vem se consolidando como uma das estratégias mais eficazes no manejo do lipedema, oferecendo não apenas melhora estética, mas principalmente mais mobilidade, conforto e qualidade de vida.

