11-05-2026 às 10h11
Samuel Arruda*
O cenário político mineiro ganhou intensidade entre os dias 6 e 9 de maio de 2026, consolidando Minas Gerais como um dos principais campos de disputa eleitoral do país e antecipando uma campanha marcada por embates ideológicos, indefinições estratégicas e movimentações de bastidores envolvendo os principais pré-candidatos ao Palácio Tiradentes. O período foi marcado por eventos políticos, pesquisas eleitorais, cobranças partidárias e pela ampliação das articulações nacionais que podem influenciar diretamente a sucessão estadual.
O primeiro grande movimento ocorreu durante o Congresso Mineiro de Municípios, realizado em Belo Horizonte, onde diversos nomes cotados para disputar o governo estadual participaram de debates e encontros com prefeitos e lideranças regionais. O evento acabou funcionando como uma espécie de “ensaio eleitoral” antecipado, expondo diferenças políticas e estratégias dos grupos que pretendem disputar o comando do estado. O governador Mateus Simões, o ex-prefeito Alexandre Kalil, o presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo e aliados do senador Cleitinho Azevedo protagonizaram discursos e trocas de críticas que evidenciaram o início da polarização em Minas.

A presença de Mateus Simões no evento foi interpretada como uma tentativa de consolidar sua condição de candidato natural do grupo político ligado ao ex-governador Romeu Zema, que deixou o cargo em março para intensificar sua pré-campanha presidencial. Simões busca se apresentar como continuidade administrativa do atual modelo de gestão liberal implantado pelo Novo em Minas, mas enfrenta dificuldades para ampliar sua popularidade diante do crescimento de adversários mais conhecidos do eleitorado.
Ao mesmo tempo, o senador Cleitinho Azevedo permaneceu no centro das atenções políticas estaduais. Embora ainda não tenha oficializado sua candidatura, o parlamentar segue liderando levantamentos eleitorais divulgados nas últimas semanas, ampliando a pressão de aliados e partidos para que anuncie definitivamente sua entrada na disputa. Pesquisas recentes mostraram Cleitinho com ampla vantagem sobre concorrentes como Rodrigo Pacheco, Alexandre Kalil e Mateus Simões, consolidando-se como o nome mais competitivo da direita mineira neste momento.
A indefinição do senador Rodrigo Pacheco também se transformou em um dos principais assuntos políticos da semana. Após migrar para o PSB e ser tratado por setores do governo federal como o principal nome ligado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Minas Gerais, Pacheco passou a sofrer pressão crescente de aliados, especialmente do PT, para assumir publicamente sua pré-candidatura ao governo estadual. Lideranças petistas avaliam que Minas terá papel decisivo na eleição presidencial e defendem a necessidade de um nome forte capaz de enfrentar o favoritismo de Cleitinho e o grupo político de Zema.
Nos bastidores, a aproximação entre Lula e setores empresariais ligados à mineração e aos minerais estratégicos também começou a repercutir na política mineira. As discussões envolvendo lítio, terras raras e investimentos internacionais ganharam relevância após agendas diplomáticas do governo federal nos Estados Unidos, tema que passou a ser incorporado por pré-candidatos interessados em associar Minas Gerais ao protagonismo econômico da transição energética global. O Vale do Jequitinhonha, principal fronteira mineral do país, tornou-se pauta recorrente nos discursos políticos e deve ocupar espaço central na disputa eleitoral mineira.
Outro fator relevante observado entre os dias 6 e 9 de maio foi o início mais claro da nacionalização da disputa mineira. Enquanto Rodrigo Pacheco tende a ser associado ao campo governista e à reeleição de Lula, Cleitinho mantém forte aproximação com setores conservadores e bolsonaristas, embora tente preservar uma imagem de independência política. Já Mateus Simões procura herdar o capital político de Romeu Zema e transformar Minas em uma vitrine nacional da direita liberal.
A semana também revelou um quadro ainda bastante fragmentado e indefinido. Além dos principais nomes, outras pré-candidaturas seguem em articulação, como a de Alexandre Kalil, que tenta retornar ao protagonismo político estadual, e a de Gabriel Azevedo, que busca se consolidar como alternativa de renovação política em Belo Horizonte e no interior.
Com pesquisas em movimentação, pressão partidária crescente e o avanço das articulações nacionais, Minas Gerais entra definitivamente em clima eleitoral. O estado, historicamente decisivo nas eleições presidenciais e conhecido pelo peso político de seu eleitorado, volta a ocupar posição estratégica no tabuleiro nacional, enquanto os principais pré-candidatos intensificam agendas, alianças e discursos de olho na disputa de outubro.
*Samuel Arruda e jornalista e articulista

