Energia que move o país - créditos: divulgação
29-03-2026 às 09h09
Enio Fonseca*
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realizou o primeiro leilão de transmissão de 2026, em 27 de março, na sede da B3, em São Paulo.
No âmbito nacional, o leilão contratou os cinco lotes ofertados e somou R$ 3,35 bilhões em investimentos estimados.
A receita total( RAP) contratada ficou em R$ 286,2 milhões, contra um teto de R$ 580,4 milhões, o que resultou em deságio médio de 50,69%, representando uma economia estimada de R$ 7,63 bilhões para os consumidores ao longo dos contratos.
Os empreendimentos contratados nesta etapa preveem a construção de 798 quilômetros de linhas de transmissão e a expansão de 2.150 MVA na capacidade do sistema. As obras estão distribuídas por 11 estados: Bahia, Ceará, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Sergipe, Santa Catarina e São Paulo, e o prazo das obras varia entre 42 a 60 meses.
O sistema de transmissão de energia elétrica brasileiro( SIN) é um dos maiores do mundo: são mais de 180 mil km de linhas de transmissão interligando todas as regiões brasileiras.Ele garante que a energia gerada em grandes usinas hidrelétricas, eólicas e solares seja distribuída nacionalmente pelo Sistema Interligado Nacional (SIN).
As tensões utilizadas variam entre 69 kV até 800 kV (em corrente contínua, para longas distâncias). O sistema de transmissão leva a energia produzida no Brasil, que quem uma capacidade instalada de 249.497 MW , sendo :
Hidrelétricas: 108.896 MW (43,6%) ; Eólicas: 34.758 MW (13,9%) ; Solares: 19.670 MW (7,9%); Biomassa: 15.504 MW (6,2%) ; Termelétricas (gás, óleo, carvão) com cerca de 23.000 MW e Nuclear: 1.990 MW
O Brasil exporta e importa energia de países vizinhos como Argentina, Paraguai e Uruguai, principalmente via Itaipu Binacional, sendo que a interligação reduz riscos de apagões, já que a energia pode ser redirecionada entre regiões e países.
Novos projetos de transmissão estão previstos até 2030, acompanhando o crescimento da geração renovável (especialmente solar e eólica), com estimativa de que sejam necessários mais de R$ 89,6 bilhões ao longo desta década.
O sistema de transmissão de energia é essencial para conectar grandes centros geradores (usinas) aos centros de consumo, transportando eletricidade em alta tensão por longas distâncias com eficiência. Ele garante a segurança, confiabilidade e estabilidade do abastecimento, além de possibilitar a integração de fontes renováveis (eólica/solar) e reduzir perdas técnicas
A importância Estratégica do Sistema de Transmissão está calcada nos seguintes pontos:
- Conexão Geração-Consumo: Transporta energia gerada em locais distantes, como hidrelétricas na região Norte, para os grandes centros consumidores no Sudeste, por exemplo.
- Eficiência e Redução de Perdas: Utiliza alta tensão e transformadores para elevar a voltagem, o que diminui drasticamente a perda de energia por efeito Joule durante o percurso.
- Segurança e Confiabilidade (SIN): No Brasil, o Sistema Interligado Nacional (SIN) interliga quase todo o país. Se uma linha falhar, a energia pode ser redirecionada, evitando apagões.
- Integração de Renováveis: Essencial para trazer energia limpa (eólica e solar) produzida em regiões específicas para o restante do país.
- Flexibilidade: Permite a troca de energia entre diferentes regiões e até países, equilibrando ofertas e demandas distintas.
As vencedoras do primeiro Leilão de 2026 foram: Engie (EGIE3): Arrematou os lotes 2 e 3 (este último com deságio de 54,83%), focando em novas linhas e compensadores síncronos no Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Norte e Ceará; Cymi: Venceu os lotes 1 e 5, com projetos em SP, RJ, MG, MT e PA. e Consórcio BR2ET: Venceu o lote 4, com obras na Bahia e Sergipe.
A ampliação do sistema de transmissão de energia no Brasil enfrenta desafios complexos, movidos pela rápida transição energética e pela necessidade de integrar novas fontes renováveis (solar e eólica) ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Em 2026, a previsão é de um crescimento de 25% na geração de energia, pressionando uma rede que já opera próxima do limite.
Os gargalos para ampliação do sistema de transmissão no Brasil são:
Descompasso Geográfico: As novas fontes renováveis (especialmente no Nordeste) estão distantes dos grandes centros consumidores (Sudeste/Sul), exigindo linhas de transmissão muito longas.
Curtaiment (Corte de Geração): A rede atual já não suporta todo o volume de energia produzida em horários de pico solar ou eólico, resultando em restrições operativas e desperdício de energia limpa (curtailment).
Saturação da Rede: Pontos da rede básica operam com capacidade esgotada, exigindo reforços estruturais urgentes para evitar atrasos na entrada de novos empreendimentos.
Complexidade do Licenciamento ambiental. O Movimento Descomplica com coordenação da Ambientare e participação de outras consultorias, empresas do setor e órgãos setoriais, é uma iniciativa focada na simplificação, agilização e modernização dos processos de licenciamento ambiental no Brasil.
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