Protestos de alunos e professores após as mortes - créditos: divulgação
13-03-2026 às 14h10
Por Carlos “Talião” Mota Coelho*
O Imperador Pedro II deve estar se revirando em seu túmulo, assistindo horrorizado ao que quatro alunos de seu colégio no Rio de Janeiro vinham aprontando com adolescentes, inclusive colegas e que foram por eles curradas.
Homem de admirável cultura, Dom Pedro tinha especial predileção pelo ensino e não apenas fundou um dos melhores colégios da época, como também nele lecionava e até aplicava provas.
Mas o que seria de se esperar, não do educador Pedro de Alcântara, mas do imperador e legislador, como forma de impedir que mulheres sejam tão maltratadas pelos homens?
Penso que se o imperador ainda estivesse entre nós, de preferência em seu trono, de onde foi escorraçado por Deodoro, ele não se limitaria a agravar penas para esses delitos, pois isso não vem funcionando, mesmo que sejam perpétuas ou de morte, pela simples razão de que foi ele quem aboliu no Brasil as penas capitais, mas penso que para a educação seria apontado o seu régio foco.
Concordo que as escolas e os professores têm o dever de transmitir aos alunos conteúdos genuinamente educacionais, mas também devem “educar” tais alunos não apenas para se tornarem “passadores” nos vestibulares, enens e concursos públicos da vida, mas para se tornarem pessoas boas e respeitadoras de seus semelhantes, não em monstros feito aqueles jovens cariocas.
Estudante ao tempo do sinistro regime ditatorial militar, eu tinha horror às aulas de Educação Moral e Cívica, mas aquelas aulas não tinham como escopo formar pessoas de bem, mas cordeirinhos incapazes de questionar tal regime de força, o que levou a supressão daquela disciplina das grades curriculares em nosso Brasil.
Fui deputado federal e portanto legislador, mas não tive olhares para pragas como esta, que ora olho estarrecido e enraivecido, porque não sou do meio educacional, mas confesso que falhei, como incorrem na mesma falha os atuais legisladores, visto que a busca de soluções eficazes para este verdadeiro horror nacional não deve recair apenas sobre as cacundas dos professores, nem sempre bem preparados, além de pessimamente remunerados.
Sou procurador federal (aposentado), e portanto integrante da elite do funcionalismo público brasileiro, mas, além de injusto, não acho bom para o Brasil que nos paga que um procurador, um juiz, um médico, um militar de elevada patente, um delegado e outros meritocratas ganhem várias vezes mais do que um professor, pois o funesto resultado é este ou esse a que estamos assistindo.
Fora do Brasil – bom de se lembrar – um professor ganha igual ou mais do que um juiz ou procurador e ser Professor é o mais desejado título que alguém almeja ter!
Portanto, acho que o Estado deve sim prender tais monstros em inexpugnáveis cadeias, pois a esta altura de suas monstruosidades tentar os reeducar é jogar dinheiro fora, mas, como forma de a nossa sociedade se precaver, é passado da hora o surgimento de ESCOLAS DE FORMAÇÃO DE PESSOAS CIVILIZADAS OU BOAS, NÃO ESCOLAS DE PASSADORES EM VESTIBULARES, ENENS E CONCURSOS PÚBLICOS, FEITOS OS EM QUE PASSEI!
E para homens inaptos para amar, inclusive incompetentes para tentar amar preciosidades como as mulheres, acho que vou me focar na ESCRITA DE UM MANUAL COM TAL CONTEÚDO, como também na de uma nova Lei, quiçá prevendo PENA DE MORTE aos que espancam ou MATAM MULHERES, mesmo que me chamem de um novo Rei Talião, aquele do “olho por olho, dente por dente”!
*Carlos Mota é Procurador Federal, ex-deputado federal, escritor e membro da ALVA – Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha

