Créditos: Marinha Francesa
24-02-2026 às 15h42
Direto da Redação*
Em exercício de alta intensidade na França, Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil, por meio da chamada Operação ORION 2026, conduzida pelos franceses, puderam ampliar a interoperabilidade brasileira ao participar desta que é considerada a maior manobra interarmas, o que de fato reforça a nossa capacidade expedicionária e consolida a integração com forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
Foi a partir do Porta-Helicópteros Anfíbio francês Mistral, em operação a partir de Saint-Nazaire, que o contingente brasileiro se integrou às operações. Mistral foi escolhida por ser vetor estratégico de projeção anfíbia, com capacidade para o transporte de tropas, viaturas, helicópteros e centros de comando embarcados.
Antes de ir mais adiante convém informar que a presença da MB na Operação ORION 2026 não é um mero intercâmbio de uma operação, mas um movimento estratégico com o potencial de projetar o Brasil no âmbito do “núcleo de exercícios de alta intensidade conduzidos por forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte”.
O começo de tudo foi o desembarque anfíbio da parte do núcleo doutrinário do Corpo de Fuzileiros Navais. Na sequência, aconteceram operações terrestres em ambiente simulado de guerra de alta intensidade. Com o uso de blindados, apoio aéreo, drones e integração logística multinacional.
O exercício é considerado um dos mais relevantes treinamentos interarmas da Europa contemporânea. Simula conflito convencional de grande escala, com uso de meios navais, terrestres, aéreos, cibernéticos e espaciais, dentro de uma arquitetura de comando multinacional.
As operações transcorreram sob condições climáticas adversas, “baixas temperaturas e terreno encharcado, fatores que adicionam realismo operacional e impõem desafios adicionais à tropa”. Mas o ganho da interoperabilidade foi o destaque para MB por operar sob padrões da OTAN.
Quais sejam esses padrões? “Compatibilização de protocolos de comunicação; adequação a procedimentos de comando e controle multinacionais; sincronização logística e tática com forças de diferentes matrizes doutrinárias; adaptação a sistemas C4ISR integrados”.
Na realidade, foi um teste real de prontidão expedicionária para os fuzileiros nacionais em um contexto de conflitos contemporâneos – demonstram a centralidade da guerra combinada e multidomínio.
No caso da França, o treinamento valida “conceitos operacionais voltados a conflitos de alta intensidade no continente europeu e no entorno estratégico da OTAN”.
Os brasileiros assinalaram ao final três mensagens relevantes. A primeira delas é a “capacidade expedicionária ativa – o Brasil demonstra que mantém aptidão para operar fora do seu entorno geográfico imediato”.
A segunda mensagem é “o diálogo estratégico com potências europeias – reforçando laços bilaterais históricos com a França”.
E a terceira, a “inserção qualificada em ambientes operacionais complexos – ampliando credenciais internacionais da Marinha”.
É bom que se diga que a autonomia estratégica não se altera a postura tradicional brasileira, simplesmente torna evidente a capacidade técnica de integração com coalizões multinacionais, em caso de necessidade.
A presença brasileira na França sinalizou o preparo, profissionalismo e inserção estratégica crescente, em um cenário internacional pela sua valorização de capacidade de prontidão.

