Lula recorre a partidos do Centrão - créditos: Agência Brasil
08-02-2026 às 11h35
Samuel Arruda
Brasília, 8 de fevereiro de 2026 — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desencadeou uma ampla ofensiva política para reforçar sua campanha à reeleição e, ao mesmo tempo, isolar o senador Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial. A estratégia combina duas frentes: articulação com partidos do chamado Centrão e a possível mudança na composição da sua chapa presidencial, com um vice-presidente indicado pelo MDB.
Lula e sua assessoria avaliam que apenas cerca de 10% dos eleitores ainda estão em disputa ativa neste momento precoce da campanha, e que é crucial ampliar o arco de alianças em todos os espectros do espectro político para ganhar competitividade nas urnas. A estratégia busca:
afastar partidos do Centrão da base de apoio formal à candidatura de Flávio Bolsonaro, dificultando que o senador reúna uma frente política ampla à sua direita;
atrair o MDB — uma das maiores legendas do país — para compor a chapa, o que daria mais tempo de propaganda eleitoral na TV e rádio e fortaleceria a mensagem de um governo de coalizão.
Nos bastidores, Lula tem mantido conversas com líderes do Centrão, como Ciro Nogueira (presidente do PP) e Hugo Motta (presidente da Câmara). Uma das negociações envolve a possibilidade de neutralidade nacional dessas siglas — ou seja, que não se aliem formalmente a Flávio Bolsonaro — em troca de concessões regionais e apoio a candidaturas locais de interesse desses partidos.
A formação da federação União Progressista (PP + União Brasil), que possui a maior bancada da Câmara dos Deputados, torna essas negociações ainda mais relevantes, já que esses partidos são vistos como centrais em qualquer composição no Congresso Federal.
Uma das frentes mais sensíveis da estratégia de Lula é a tentativa de atrair o MDB para sua coligação presidencial. Isso implicaria uma possível troca do atual vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), por um nome do MDB. Essa alteração poderia reforçar o apoio à campanha do PT, mas também gera resistências internas:
Alckmin é próximo ao presidente e tem sido publicamente elogiado por Lula, inclusive no aniversário do PT em Salvador;
Dirigentes do MDB em estados importantes, como São Paulo e Rio Grande do Sul, ainda resistem à ideia de integrar a chapa petista;
O atual vice já teria afirmado que, se for afastado da chapa, continuará apoiando Lula de forma pública e institucional
Assessores emedebistas argumentam que a única maneira de convencer a legenda a entrar definitivamente na coligação seria justamente oferecendo a vaga de vice — uma carta forte para a convenção partidária que definirá alianças entre 20 de julho e 5 de agosto.
Alguns nomes do MDB já são cogitados como potenciais vice-presidentes na hipótese de acordo: Renan Filho (ministro dos Transportes), Helder Barbalho (governador do Pará) e Simone Tebet (ministra do Planejamento), embora as negociações ainda estejam em fase inicial.
Nesse cenário eleitoral, a articulação de Lula ocorre em um contexto onde pesquisas recentes apontam que a disputa presidencial está polarizada, com Flávio Bolsonaro aparecendo em crescimento em alguns cenários eleitorais, mesmo com alto grau de rejeição em parte do eleitorado.
Enquanto isso, o PT reforça a narrativa de unidade e coalition building (construção de alianças) para consolidar uma frente ampla capaz de barrar a candidatura bolsonarista e ampliar o tempo de propaganda eleitoral e influência política em todo o país.
*Samuel Arruda é jornalista e articulista

