Humor sem compromisso - créditos: Pngtree
08-02-2026 às 13h46
Solange Mendes
Depois de ver o programa Altas Horas, sobre os anos 70, que eu adorei, estou aqui tomando uma cerveja gelada e lembrando…
Já amanheci meio nostálgica ouvindo: “meu broto me avisou que ia estudar e ao cinema fui me distrair, e ao chegar nem quis acreditar, eu vi meu bem sentado com alguém, de frente a mim…” É muita tristeza pra uma música só, e agora vem essa volta ao passado, numa época que tudo era muito doido e ser passada pra traz então, era pra querer morrer, eu que o diga!
Já sofri e já chorei muito por amor e por desamor, já descabelei de até tomar cibalena pra morrer, mas claro que só fiz que tomei, pois se tem uma coisa que sempre fui foi muito viva, mas como naquela época todo mundo tentava alguma coisa… então peguei aquela caixinha com não sei quantas cibalenas, abri os comprimidos, joguei no vaso e tomei uns quatro só pra dar sono, o namorado virou um santo quando soube da minha tentativa de suicídio e eu continuei livre e solta sem ele me encher o saco.
De outra vez mandei um telegrama para o Tadeu, em Belo Horizonte: “Venha urgente Solange muito mal, risco de vida, assinei como minha mãe.” Três dias depois, ele chegou lá em casa de olhos arregalados, desceu do Gontijo direto lá na porta da minha casa, de tão preocupado. Eu já tinha esquecido desse telegrama e dormia placidamente quando escutei ele chamando, abri a porta com a maior calma e o melhor sorriso do mundo, ele desesperado, querendo saber o que tinha acontecido, aí eu falei, que era só saudade. Acho que foi ali, naquele risco de vida, que o meu filho Vladimir Pôla ganhou vida.
Um dia apedrejei uma sirigaita que já tinha paquerado Tadeu e chegou lá cheia de atenção e amor pra dar, eu já tinha a minha filha Taty, que era pequena, e nesse dia estava comigo, sabendo que ele tinha descido para o rio Jequitinhonha com a dita cuja, eu nem liguei de estar com ela escanchada em mim, abaixei e comecei a jogar as pedras de uma construção, a moça pulava igual cabrito, e eu só não continuei a façanha, porque Tadeu voltou me abraçou, explicou que era só amizade…
Anos depois, já em BH, conheci uma menina que começou a frequentar a nossa casa, mas na verdade estava dando em cima dele, aproveitei uma reunião do jornal Geraes, onde devia ter umas vinte pessoas, e resolvi acabar com a ousadia daquela lambisgóia, sem um pingo de dó ou piedade. Servi doce de leite pra todos e, no dela fiz um preparo especial, misturando no doce a pior pimenta malagueta que já experimentei. A vaca, na primeira colherada, começou a tossir que até saia água dos olhos, e eu calma olhei bem pra cara dela e perguntei o que tinha de errado com meu doce, tossindo igual uma doida ela foi embora da nossa casa e das nossas vidas. Todos perceberam o acontecido e depois que ela foi embora ninguém segurava o riso e entenderam o recado, por que só o dela ardia?
É, ouvindo músicas antigas sem ninguém em casa, penso nas minhas atitudes, hoje estou mais tranquila e as confusões são mais virtuais, pelo face se namora, acaba amizades, e casamentos…
Outro dia perdi uma amiga por um comentário que escrevi. Uma outra, lá de minha terra, descobriu a traição do marido por mensagem inbox que a criatura deixou aberta, e eu ficando online na madrugada, estou correndo risco de aparecer um folgado…
Acho que vou tomar essa cerveja e vou dormir, para sonhar, em especial com o meu Neném, que deixa a casa muito vazia e a noite muito longa quando não está aqui ….
E eu fico morrendo de saudade!
*Solange Mendes, dona de casa, funcionária pública aposentada, mãe, avó, bisavó, e cidadã de bem com a vida.

