Verdadeiro Cão Orelha - créditos: divulgação
31-01-2026 às 07h40
Samir Rachid*
O mês de janeiro de 2026 começou com quatro rapazes, filhos de pais abastados, cometendo uma atrocidade em Santa Catarina.
Em uma comunidade praieira vivia o Orelha, um cachorro querido e amado por todos. Há dez anos era a alegria do lugar, já integrava a comunidade como filho de todos.
Eis que aparecem quatro rapazes, daqueles que não sabem quanto custa um pão, um litro de combustível ou um quilo de carne — verdadeiros filhinhos de papai, que paga tudo, dá tudo e resolve tudo. Eles se depararam com o Orelha e, como mens vacua, hortus inferni, resolveram ASSASSINAR o amigo de todos com requintes de SADISMO e CRUELDADE.
Levaram o já idoso Orelha para uma pequena mata. Bateram tanto na cabeça do cachorro que seu cérebro ficou exposto. Para piorar a cena macabra, enfiaram um pedaço de pau — talvez o mesmo que esmagou sua cabeça — em seu corpo, causando perfurações, inclusive na região da garganta.
Orelha foi levado ao veterinário pelo pessoal da comunidade, mas este nada pôde fazer, tamanha a extensão das lesões. O velho e querido Orelha veio a óbito.
O paradoxo dessa situação é que, se o Orelha tivesse sobrevivido, receberia seus ASSASSINOS abanando o rabo, pois cachorros não foram tocados pela maldade.
Peço emprestado um trecho de um poema que vi sobre cachorros, mas não lembro o nome do autor:
“… sem dinheiro, sem diploma, sem estudo, é mestre e professor da mais bela disciplina: o AMOR…” (sic)
Com relação aos ASSASSINOS, são rapazes abastados financeiramente. A família e advogados (ahhh, advogados…) já estão sendo investigados por COAÇÃO DE TESTEMUNHAS. A família está dando apoio amplo, total e irrestrito aos autores dessa barbárie.
Conclui-se que os pais dos ASSASSINOS têm pedigrees muito aquém do cachorro Orelha, e eles são frutos do ambiente em que vivem: o fruto não cai longe da árvore.
São rapazes que frequentam a igreja apenas por compromisso social, ao que parece. Estudam nos melhores colégios. São bonitos, charmosos, calculistas, manipuladores, com total ausência de remorso (não vieram pedir desculpas ao povo), precedentes para futura condição de PSICOPATIA. Assim nascem os psicopatas: começam maltratando e matando animais, depois batem nas mulheres, por serem mal resolvidos sexualmente, e depois…
Um deles já havia afogado outro cachorro antes do fato, como já reportado.
Como já disse, filhos de pais que acobertam tudo, facilitam tudo, dão de tudo, são do estilo “papai paga e resolve”. Aqui cito o poema Ilusões da Vida, de Francisco Otaviano:
“Quem passou pela vida em branca nuvem,
E em plácido repouso adormeceu;
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu,
Foi espectro de homem, e não homem,
Só passou pela vida, não viveu.”
Ontem, um advogado disse, talvez querendo dar uma aula de direito, “que não haverá prisão, que os rapazes, por serem menores, serão julgados de acordo com o ECA — Estatuto da Criança e do Adolescente”. Poderia ter parado por aí, mas quis dizer mais, com palavras técnicas, diante da comoção mundial (já chegou aos Estados Unidos e à Itália; agora precisa chegar à Austrália, onde o tio de um dos ASSASSINOS pretende levá-lo). Disse: “… pela interpretação da lei, esses rapazes não tinham conhecimento do ato ilícito que cometeram”. Deveria ter parado na primeira parte da explicação.
Dê aos ASSASSINOS notas de R$ 200,00 e mande-os sair pelas ruas colocando fogo nelas; mande-os comer cocô para ver se têm noção ou não do que fizeram — ainda mais com as redes sociais, a todo momento, noticiando que maus-tratos a animais é crime.
O que ocorreu com o cachorro Orelha levanta outra questão que sempre vem à tona quando atos dessa natureza são realizados por menores pretos e pobres: a questão da REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL.
Por que não agora o Congresso Nacional ACORDA e vê que já passou da hora!?
Desta vez são filhos de ricos; nenhum político vai se manifestar.
Fato é que a questão do ASSASSINATO do cachorro Orelha por esses monstrinhos deve ser acompanhada de perto pelo Juizado da Vara da Infância e da Juventude e pelo Ministério Público, pedindo a condenação desses rapazes ao máximo de cumprimento das medidas socioeducativas previstas no ECA.
Colocá-los para lavar banheiro de rodoviária, etc., com monitoramento firme e diário, pois não são poucos os casos em que filhos de ricos, nessa condição, dão um jeito de burlar o relatório enviado à Justiça por falta de fiscalização.
Aqueles que tentaram prejudicar as investigações, coagindo testemunhas, que sejam punidos nos rigores da lei.
Que a tentativa de levar um dos rapazes para a Austrália, antes de ser julgado pelo ECA, seja barrada, como faculta a lei.
O Orelha merece pelo menos isso das autoridades.
Já a comunidade onde o Orelha viveu por dez anos ficará sem a presença do seu mascote, que fazia a alegria de todos.
De toda forma, os ASSASSINOS serão julgados pela História, juíza infalível dos poderosos.
Agora foi a vez do cachorro Orelha. Mas, com o afloramento dos sintomas, no futuro será a vez de quem…
*Samir Rachid Modad é jornalista em Itambacuri

