Vice-governador Mateus Simões e Governador Romeu Zema - créditos: Gil Leonardi/Imprensa MG
29-01-2026 às 14h12
Por Samuel Arruda*
A pressão de agentes da segurança pública e as críticas nas redes sociais têm se intensificado em Minas Gerais, especialmente em torno da questão salarial. Policiais civis e militares reivindicam a recomposição das perdas inflacionárias, enquanto o governo de Romeu Zema mantém uma postura fiscal mais conservadora, sem oferecer reajustes além daqueles já aprovados para outras categorias. Essa diferença de tratamento tem sido amplamente destacada por representantes da segurança pública em vídeos e postagens nas redes sociais, nas quais cobram maior atenção e valorização por parte do governo estadual. O deputado Sargento Rodrigues, do PL, tem se destacado nesse cenário ao articular manifestações e utilizar intensamente as redes para amplificar as críticas, reforçando o sentimento de insatisfação entre os agentes diante da postura do Executivo.
Além da pauta salarial, entidades de classe como o Sindpol/MG apontam um quadro de sucateamento da Polícia Civil, com falta de efetivo, viaturas paradas e estruturas consideradas precárias. Essas denúncias ganham ainda mais repercussão quando comparadas à ampliação de renúncias fiscais concedidas pelo governo a grandes empresas, o que, segundo os críticos, revela prioridades equivocadas nas políticas públicas de segurança. Esse discurso tem sido amplamente difundido nas redes sociais, com tom de cobrança e questionamento sobre a gestão dos recursos estaduais.
No campo político, parlamentares da oposição na Assembleia Legislativa de Minas Gerais também têm exercido forte pressão por meio do plenário e das redes sociais, direcionando críticas tanto ao governador quanto ao vice-governador Mateus Simões. Um episódio recente envolveu declarações de Simões sobre temas considerados complexos, como o programa PROPAG, que trata de dívidas e ativos do Estado. O deputado Professor Cleiton, do PV, chegou a acusar o vice-governador de ter mentido ao apresentar determinadas informações durante debates na ALMG, o que intensificou o embate político e a repercussão digital do caso.
As críticas da oposição não se restringem à segurança pública e abrangem a condução geral do governo Zema, incluindo políticas econômicas e decisões administrativas controversas, como aumentos salariais no alto escalão e a forma de implementação de determinadas políticas públicas vistas como deficitárias. Mesmo quando não tratam diretamente da área da segurança, essas críticas acabam reverberando nas redes sociais e contribuindo para um ambiente de insatisfação mais amplo com o governo estadual.
O vice-governador Mateus Simões, em particular, tem sido alvo frequente de controvérsias nas redes sociais, especialmente após episódios em que foi percebido como conflituoso em relação a lideranças locais. Um exemplo citado foi uma troca pública de mensagens com o presidente da Associação Mineira de Municípios, envolvendo questões de segurança pública nos municípios, na qual Simões ironizou supostos apoios municipais à Polícia Militar. Além disso, dentro da própria dinâmica política estadual, setores da oposição questionam sua postura e estratégias, especialmente no contexto de sua possível candidatura como sucessor de Zema, apontando dificuldades de diálogo em temas sensíveis como segurança pública e articulação partidária.
De forma mais ampla, as críticas à gestão de Romeu Zema e Mateus Simões refletem uma percepção de distanciamento do governo em relação a parte do funcionalismo público, em razão de políticas fiscais rígidas, além de embates acirrados na Assembleia Legislativa, onde opositores mantêm forte atuação digital contra propostas do Executivo. Soma-se a isso a repercussão negativa de decisões administrativas vistas como contraditórias, como reajustes elevados para cargos de alto escalão e medidas recentes relacionadas a benefícios institucionais.
Em síntese, a contestação ao governo Zema e ao vice-governador Mateus Simões nas redes sociais e na ALMG resulta da combinação de demandas por maior valorização da segurança pública, questionamentos sobre escolhas orçamentárias e de gestão e de um cenário político marcado por debates intensos com a oposição. Essas tensões expressam tanto a pressão exercida por categorias de servidores quanto a dinâmica eleitoral e legislativa em Minas Gerais em um período de definições políticas importantes.
*Samuel Arruda é jornalista e articulista

