Créditos: Ricardo Stuckert / PR
27-01-2026 às 11h34
Marcelo Vitali*
A aproximação entre o Brasil e os Estados Unidos tem sido vista de forma positiva, especialmente devido ao valor que o presidente dos Estados Unidos dá à interação pessoal entre os chefes de Estado. Embora especialistas apontem que essa relação pode trazer benefícios, há diferenças significativas nas visões de mundo de Trump e Lula. Lula tem defendido o multilateralismo, com ênfase na reforma das instituições multilaterais, como a ONU. Em contraste, Trump adota uma postura mais unilateral, exemplificada pela criação de um comitê para Gaza.
Essas abordagens distintas refletem uma reconfiguração global que também impacta o comércio. Enquanto o Brasil segue defendendo o multilateralismo, os Estados Unidos têm priorizado o unilateralismo. Essa dinâmica afeta diretamente as tarifas comerciais, que ainda estão sendo negociadas. O Brasil continua enfrentando tarifas extras nos Estados Unidos, gerando repercussões econômicas. Nesse cenário, a visita de Lula a Washington é vista como crucial.
Outro ponto relevante é a postura do presidente brasileiro sobre a participação no “Board of Peace”. Após uma consulta, ele indicou que só aceitaria integrar o comitê caso sua configuração fosse reformulada, reafirmando seu compromisso com o multilateralismo e a centralidade da ONU nas relações internacionais.
Por fim, a ausência de uma posição clara de Lula sobre a situação na Venezuela chama atenção. Embora o regime de Maduro tenha sido desafiado, o Brasil tem evitado se posicionar de maneira enfática contra o governo venezuelano. Isso levanta dúvidas sobre a possível postura brasileira em relação a uma mudança de regime no país vizinho, sugerindo, de forma implícita, um possível apoio à mudança.
*Comentário de Marcelo Vitali, diretor de desenvolvimento de negócios da How2Go.

