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15-01-2026 às 11h26
Direto da Redação*
O mercado de material escolar no Brasil enfrenta um cenário mais restritivo na volta às aulas de 2026, marcado por queda no volume vendido, inflação persistente e elevada sensibilidade à renda das famílias. O estudo realizado pelo IBEVAR – Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo em parceria com a FIA Business School analisa o período de 2024 a 2026 aponta retração projetada de -5,9% nas vendas em 2026, após uma recuperação parcial em 2025 (+2,7%) e uma forte queda em 2024 (-8,2%).
O comportamento do consumidor reflete limitações orçamentárias, não a redução da necessidade. Itens essenciais e de menor valor unitário — como canetas, lápis e papel sulfite — mostraram maior resiliência, enquanto produtos de maior desembolso — cadernos, livros didáticos, mochilas, cadeiras e mesas de estudo — registraram quedas expressivas. O movimento indica substituição, reaproveitamento e postergação de compras, sobretudo entre famílias de renda média e baixa.
Um ponto fora da curva foi o uniforme escolar, que apresentou crescimento de 27,9% em 2026, associado à retomada plena das atividades presenciais e à obrigatoriedade do item, o que limita a capacidade de ajuste das famílias.
No eixo dos preços, o diagnóstico é ainda mais preocupante. Entre janeiro de 2023 e janeiro de 2026, os preços de material escolar acumularam alta de 29,5%, mais que o dobro do IPCA aproximado no período (14,3%). O descolamento evidencia pressões específicas de custos — como papel, logística, insumos importados e câmbio — e reforça o caráter regressivo do gasto educacional.
A análise regional confirma que o impacto é mais severo onde a renda é menor. Em estados do Norte e Nordeste, o gasto médio com material escolar consome entre 35% e 40% da renda média mensal, enquanto em estados de maior renda essa proporção fica abaixo de 25%. Esse percentual elevado se explica pela concentração dessas despesas no início de ano. A relação é clara: a cada aumento de 1% na renda média, a proporção do gasto com material escolar recua 0,15%.
O quadro se agrava pelo perfil das matrículas: 80% estão na rede estadual, onde o gasto absoluto é menor, mas o impacto relativo sobre a renda é significativamente maior. Com menor margem de ajuste, essas famílias tornam-se mais sensíveis aos aumentos de preços e adotam estratégias defensivas, como reduzir volumes, trocar marcas ou reutilizar materiais de anos anteriores.
Para Claudio Felisoni, presidente do IBEVAR e professor da FIA Business School: “A volta às aulas de 2026 ocorre em um ambiente mais duro do que o de 2025. O setor enfrenta queda de volume, inflação persistente e alta elasticidade à renda, o que reforça a necessidade de estratégias focadas em acessibilidade, como kits econômicos, promoções e parcelamento, ao mesmo tempo em que evidencia desafios”. estruturais ligados à desigualdade de renda e ao encarecimento contínuo dos insumos educacionais.
Sobre a FIA Business School – Criada em 1980, a FIA Business School é referência entre as escolas globais de negócios do Brasil e da América Latina. Atua em educação executiva, pesquisa e consultoria com soluções customizadas para organizações do setor privado e público – uma referência no Brasil e no mundo. Porque ensina você a transformar conhecimento em resultados que mudam o jogo – no mundo dos negócios e na sociedade. Sua fundação se deu por professores da Faculdade de Administração, Economia e Contabilidade (FEA-USP) com a missão de desenvolver e disseminar o conhecimento e as melhores práticas em Administração. Os MBAs da FIA são credenciados pela AMBA (Association of MBAs), sediada em Londres e, desde 2004, frequenta as publicações internacionais de melhores MBAs, e EuropeanCEO. A graduação em Administração de Empresas foi avaliada pelo ENADE como a melhor em Administração em Negócios na cidade de São Paulo, e alcançou por três vezes consecutivas 5 estrelas na avaliação do Guia do Estudante.

