Riquezas do sertão - créditos: divulgação
04-04-2026 às 10h28
Alberto Sena*
Sertão é tudo. Não se trata só da beleza do Cerrado do Norte de Minas, com o seu arvoredo tortuoso e de folhas e cascas grossas próprias para aguentar o calor do Sol escaldante e aquele pó vermelho.
Sem falar – falando – dos frutos do Sertão, que em sua variedade é considerado maior do que a da mata Amazônica, capitaneado pelo pequi, araticum, cagaita, pitomba, araçá, goiabinha e tantos outros.
“Grande Sertão Veredas” não é somente o livro do mineiro de Cordisburgo, Guimarães Rosa. “Grande Sertão” é uma cooperativa, que fez por bem se instalar no chamado “Casarão dos Prates”, na Praça Doutor Chaves.
Um exemplo de “empreendimento econômico solidário”, constituído de agricultores e agricultoras familiares, agroextrativistas, assentados e assentadas da reforma agrária, quilombolas e indígenas do Norte de Minas.
É uma bela maneira de congregar as “populações tradicionais” em um só esforço de usar e manejar, sustentavelmente, o Cerrado e a Caatinga.
Para usar de um palavrão – sociobiodiversidade – trata-se do trabalho com produtos que geram renda e também visa a conservar o meio ambiente, e, naturalmente, com todo respeito quanto a sabedoria das populações nativas.
Para o leitor que “cresceu o olho”, vai crescer ainda mais ao ser informados dos principais produtos dessa gente sertaneja. Lá estão pelo menos17 variedades de polpas de frutas, como também óleo, polpa e congelados do pequi. Óleo e farinha de buriti, rapadurinha, açúcar mascavo, farinha de mandioca e mel, dentre outros.
Importante frisar: tudo extraído naturalmente de frutos “sem o uso de agrotóxicos, sem adição de água e conservadores químicos”. São oriundos dos quintais agroecológicos.
Essa gente sertaneja tem o intuito de “fortalecer a qualidade da alimentação das famílias agricultoras e oferecer uma fonte de recursos por meio da comercialização da produção excedente”.
É como juntar o útil ao agradável ou a fome com a vontade de comer e ter com que bem se alimentar de frutos desta terra bendita chamada Sertão, de Montes Claros e região.
*Jornalista e escritor montes-clarino

