
Rio das Velhas - créditos: divulgação
30-08-2025 às 08h28
Alberto Sena (*)
O médico sanitarista, ambientalista e criador do Projeto Manuelzão, Apolo Heringer Lisboa vai, a partir dos próximos dias, movimentar todos os meios da sociedade mineira e por consequência a brasileira também, para despoluir a Bacia do Rio das Velhas, a partir do Projeto Meta 2034.
O projeto é grandioso e exequível, se houver a participação de todos, baseado em outro que ele liderou denominado Metas 2010 e 2014, com a proposta: “Nadar, Pescar e Navegar” no Rio das Velhas, que colheu avanços. Mas há imperiosa necessidade de avançar muito mais, e o momento é agora. E na opinião do ambientalista, se demorar mais a tendência é o fim do rio, hoje um caudal envenenado.
Envenenado por todo tipo de substâncias que nele são jogadas, a partir do esgoto urbano, resíduos de indústrias, produtos químicos utilizados na fabricação de remédios e o que o leitor imaginar. Estupidamente tudo vai para o rio, que morre de sede sufocado por um líquido viscoso, negro, retrato da falta de compromisso de todos os que se utilizam do Velhas como se fosse uma lata de lixo.
Os prefeitos, os vereadores e a sociedade de cada um dos lugares banhados pelo Rio da Velhas estão sendo convocados a participar desse esforço, porque a despoluição das águas é do interesse de todos. É um ganha-ganha. As autoridades constituídas precisam participar deste esforço hercúleo para trazer de volta os peixes.
Os peixes voltando – pintado (surubim), dourado, curimatã, dentre outros – todos ganham, desde os moradores ribeirinhos, que voltarão a se alimentar de peixes e poderão pescar para vender; as indústrias e o comércio de modo geral. Sem falar nos pássaros, nos animais quadrúpedes e, de modo geral, a Natureza. Onde há água existe vida.
Mas é necessária a conscientização de todos os segmentos da sociedade, principalmente o político, porque as administrações da cidade banhadas pelo rio da Velhas têm de parar de jogar esgoto nele; as indústrias precisam tratar os seus resíduos e a fiscalização das autoridades ambientalista precisa ser efetiva e responsável.
Quem tem o mínimo de senso critico entende que a situação não pode continuar como está e as empresas e quem mais se utilizam das águas precisam pagar pelo uso e parar duma vez por todas a poluição porque o Velhas pede por socorro.
Chega de omissão por parte de todos os atores desta relação desigual e abusada do capital irresponsável que só visa os lucros e socializa os prejuízos. E quem mais sofre com eles são os mais necessitados, que antes viviam das dádivas do rio. Poços artesianos são abertos com prejuízos à terra e aos lençóis freáticos, que, também, estão com os níveis baixos.
Para “renaturalizar”, como diz Apolo Heringer, a Meta 2034 vem com a proposta de despoluir a bacia do Rio das Velhas em dez anos, com foco no tratamento de uma área na Região Metropolitana de Belo Horizonte, entre Nova Lima e a foz do Ribeirão da Mata, que fica entre as cidades de Vespasiano e Santa Luzia.
Não se pode aceitar que “as águas de um rio e as águas subterrâneas sejam poluídas e apoderadas de forma antissocial e antiambiental. Por isso as outorgas deveriam ser uma coisa muito séria e fiscalizada”, Apolo Lisboa assim defende o Rio das Velhas, como sempre o fez desde o Projeto Manuelzão.
(*) Alberto Sena é jornalista e escritor