Cleitinho, Kalil e Pacheco - créditos: divulgação
24-03-2026 às 09h26
Samuel Arruda*
A sucessão ao governo de Minas Gerais chega ao dia 24 de março de 2026 marcada por incertezas e intensa movimentação nos bastidores, especialmente em torno do senador Rodrigo Pacheco, (PSD), mas em retirada, segundo aliados mais próximos. Ele é pontado como um dos nomes preferenciais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a disputa no estado, Pacheco ainda não definiu se será candidato, o que tem gerado ansiedade entre aliados e aberto espaço para o avanço de adversários. Interlocutores próximos admitem que ele mantém conversas com diferentes partidos e avalia até uma eventual mudança de legenda para ampliar sua base, dialogando tanto com siglas mais alinhadas ao governo federal quanto com setores de centro. Apesar disso, a indefinição começa a ser vista como um fator de desgaste, já que o calendário político pressiona por decisões mais concretas e dificulta a consolidação de alianças robustas.
Enquanto isso, o campo governista estadual se reorganiza com a ascensão de Mateus Simões (PSD) ao comando do Executivo mineiro, após a saída de Romeu Zema. Simões se movimenta para viabilizar sua candidatura à reeleição e tenta herdar o capital político da gestão anterior, apostando na continuidade administrativa. No entanto, enfrenta desafios relevantes, como a necessidade de unificar a direita e reduzir resistências internas, especialmente diante da presença de outros nomes competitivos no mesmo campo ideológico.
Entre esses nomes, destaca-se o senador Cleitinho Azevedo, que mantém sua pré-candidatura ao governo e aparece como um dos principais polos de atração do eleitorado conservador. Nos últimos dias, circularam rumores de que Cleitinho poderia desistir da disputa para apoiar Simões, mas, até o momento, não há confirmação concreta desse movimento. Pelo contrário, o cenário mais recente indica que o senador segue empenhado em consolidar seu próprio projeto político, mantendo agenda ativa e articulações independentes. Embora existam conversas e gestos pontuais que indiquem alguma aproximação entre os dois campos, eles ainda se posicionam como potenciais adversários, e não como aliados consolidados.
Nesse ambiente fragmentado, a indefinição de Pacheco acaba tendo efeito direto sobre toda a dinâmica eleitoral. Além do que, abre brecha para o crescimento de Kalil (PDT). Mas a sua eventual entrada poderia reorganizar alianças e redesenhar o equilíbrio entre centro, esquerda e direita no estado. Por outro lado, uma eventual desistência abriria espaço para a consolidação de candidaturas já em curso, como as de Simões e Cleitinho, além de fortalecer outros atores que também observam o cenário com atenção. A poucos meses do início mais intenso da pré-campanha, Minas Gerais segue como um dos tabuleiros mais imprevisíveis do país, com negociações em curso, versões conflitantes e um quadro ainda longe de definição clara.
*Samuel Arruda é jornalista e articulista

