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29-11-2025 às 10h39
Solange Mendes*
Às vezes nos sentimos incrédulos perante a morte de alguém. A certeza dessa finitude deveria nos deixar preparados, mas o que fazemos é nos surpreender, entristecer e chorar. Muitos se revoltam e outros, de alguma forma, se voltam a questionamentos, não acreditam e se sentem como que enganados por não terem percebido uma pista, um sinal. Mas a morte é pra todos.
Quando é uma morte súbita, a tristeza é o choque. Quando existe uma enfermidade, é o não ter prestado ou dado atenção ao que poderia ser evitado.
Tem um livro do Drauzio Varella que se chama ” Por um fio “, que de alguma forma, num linguajar médico simples, fala sobre o assunto e segundo ele, cuidador de muito pacientes terminais, a morte sempre é vista com muita dor, independente da religião. Outro livro que se chama ” No país das sombras longas”, fala dos esquimós que quando ficam velhos e frágeis, depois de um preparo da família, são levados pra morrerem longe, sem que outros vejam, poupando os pequenos da tristeza e da despedida, criando a ideia de que saiu pra caçar…
São vários exemplos de despedidas e acredito que nos falta falar mais sobre o assunto, como falamos sobre qualquer outra coisa. Na minha família, isto é, na minha casa com meus filhos, netos e bisnetos, eu falo sobre tudo e esse assunto é comum, falo do que é, do que acredito e de como quero quando chegar minha vez…
Pois bem, brincando e fazendo ficar engraçado falo do meu “Cerimonial fúnebre” como quero que façam, as doações das minhas coisas pessoais e acima de tudo como quero que se sintam em relação a esse final, que sempre será na hora e do jeito que Deus quiser.
Com o meu marido tenho uma conversa do que farei, se ele for primeiro, respeitando o que ele quer na despedida, inclusive o local dele que eu sempre soube, será em Itaobim. Se eu for primeiro, ele fará o que já decidi em vida.
É isso, tudo organizado para não ficar pesado. É assim que quero e assim será. Não estou escrevendo porque estou triste e nem por medo, coloco aqui de uma forma clara o que é real para todos. Acredito em outras vidas e de lá quero ter certeza de ter direcionado os meus para a compreensão de tudo que nos cerca, inclusive morrer.
Tenho saudade dos meus pais, meus irmãos, minha sobrinha e de muitos amigos, mas como ainda não posso comprovar a vida de lá, prefiro ficar por muito tempo aqui, sei lidar com a saudade, pois o bem, feito por eles, ainda quero carregar por muito tempo…
Pensem nisso, falem como falam de qualquer coisa. No dia em que a morte for vista só como uma vírgula e não um ponto final, seremos mais leves. A fé será nossas asas, e assim chegaremos livres e soltos para os braços do Pai. Como escrevi para o meu irmão que não queria ir, mas Deus chamou e ele foi. Se Deus me chamar, eu vou, né?

