Créditos: Divulgação
03-04-2026 às 09h10
Anna Marchesini*
A cruz se ergue no horizonte, um símbolo de dor e sofrimento, de entrega e amor. Cristo, o Filho de Deus, pendurado, com as mãos perfuradas, o coração partido. O que fizemos com o amor? O que fizemos com a vida?
O mundo está em chamas, as guerras e as doenças nos cercam, e a falta de sensibilidade ao próximo é um câncer que corrói a alma. A dor é palpável, o sofrimento é real. E, no meio disso tudo, nos perguntamos: “Onde está Deus?” Mas a resposta está na cruz, no grito de um amor incompreendido.
A paixão de Cristo é um lembrete cruel da nossa própria humanidade. Somos capazes de criar armas para destruir, mas não conseguimos encontrar o amor para curar. Somos capazes de construir muros para separar, mas não conseguimos encontrar a compaixão para abraçar.
Mas a Sexta-Feira da Paixão não é apenas um dia de dor e sofrimento. É um dia de esperança. A ressurreição é a promessa de que a morte não é o fim, de que o amor é mais forte do que a dor. A Páscoa é o grito de vitória sobre a morte, sobre o medo, sobre a dor.
E, no entanto, parece que esquecemos o verdadeiro sentido da Páscoa. A doação é um ato de amor, mas não apenas a doação de bens materiais. O tempo, o ouvido, o abraço… esses são os presentes mais preciosos que podemos oferecer. Mas, parece que esses presentes se tornaram raros. O toque, o cheiro, o aconchego do outro… tudo isso se perdeu no meio da correria do dia a dia.
A Sexta-Feira da Paixão nos lembra de que a verdadeira força está na vulnerabilidade, na capacidade de se abrir e se entregar ao outro. É hora de parar e refletir sobre nossas prioridades. É hora de lembrar que somos todos humanos, frágeis e imperfeitos.
Que possamos encontrar a coragem de nos abrir, de nos entregar, de amar sem medo. Que possamos encontrar a força de perdoar, de esquecer, de amar novamente. Porque, no final, é isso que nos torna humanos.
E, se o corpo de Cristo não está mais na cruz, é porque a morte não o prendeu. Ele ressuscitou, e com ele, a esperança. A Páscoa é o grito de que a vida é mais forte do que a morte, de que o amor é mais forte do que a dor.
Que possamos encontrar a paz, a alegria, a vida. Que possamos encontrar o amor que não passa, o amor que nos faz viver.
* Anna Marchesini é Palestrante

