Senador Rodrigo Pacheco se encontra com Lula e confirma que será candidato ao governo de Minas - créditos: divulgação
27-02-2026 às 10h00
Samuel Arruda|*
Em uma movimentação que promete redesenhar o cenário político de Minas Gerais neste ano eleitoral, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) comunicou pessoalmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em reunião realizada nesta quinta-feira (26), que aceitou disputar o cargo de governador de Minas Gerais nas eleições de outubro de 2026. A confirmação foi publicada por veículos brasileiros e confirmada por fontes políticas nesta sexta-feira.
De acordo com relatos, Pacheco anunciou a decisão ao presidente Lula durante um encontro no Palácio do Planalto, sinalizando que pretende deixar o PSD e se filiar a outra legenda para disputar o Palácio Tiradentes, sede do governo estadual. A mudança de partido — apesar de ainda não oficializada — deve ter impactos diretos no tabuleiro político mineiro.
A conversa com Lula marca um momento decisivo para o senador, que vinha sendo cortejado pelo presidente e por lideranças petistas para garantir um palanque competitivo ao projeto de reeleição de Lula no principal colégio eleitoral fora do eixo Sudeste no país. Minas Gerais é tradicionalmente estratégica não apenas pelas cadeiras na Câmara dos Deputados, mas também pela influência em alianças regionais.
A perspectiva de filiação de Pacheco a um novo partido — que, conforme os bastidores políticos, pode ser o MDB ou uma federação junto a outras legendas como União Brasil e PP — deve provocar disputas internas e externas no estado. O vice-governador Mateus Simões (PSD) tem se mantido como pré-candidato da legenda ao governo, e a migração de Pacheco para outra sigla coloca o PSD em rota de colisão com o senador.
Do lado do MDB, embora algumas lideranças tenham afirmado que o partido possui candidato próprio — o ex-vereador Gabriel Azevedo — a possibilidade de acolher Pacheco ainda é tema de articulações nos bastidores. A filiação do senador ao MDB, no entanto, foi negada por integrantes da legenda na noite desta quinta-feira, reforçando que ainda há debates internos sobre a melhor estratégia para a sigla nas eleições estaduais.
Independentemente da legenda, Pacheco é visto por aliados de Lula como um nome que pode fortalecer a campanha presidencial do presidente no estado — alinhando os interesses nacionais e estaduais da base aliada. Sua confirmação como candidato sinaliza a intensificação da disputa em Minas, com atenção especial às alianças com partidos de centro e centro-direita.
O anúncio de Pacheco inflama um tabuleiro eleitoral já competitivo. Além de Simões, outros nomes, como o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) e líderes como o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), aparecem como possíveis candidatos ao governo de Minas. Essa multiplicidade de candidaturas pode levar a uma disputa acirrada em um estado que historicamente tem votações equilibradas e diversificadas.
A oficialização de Pacheco como candidato deve ocorrer nos próximos meses, quando também serão definidas alianças e convenções partidárias, com atenção especial para eventual apoio de legendas como o União Brasil e o PP, que podem surgir como aliados importantes na composição de palanque
*Samuel Arruda é jornalista e articulista

