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13-03-2026 às 08h35
Fabiana Rivera*
Há momentos na vida em que tudo parece desabar ao mesmo tempo. Perdemos o chão, a direção e, às vezes, até a fé em nós mesmos. Ainda assim, existem instantes em que, mesmo caminhando entre ruínas, descobrimos uma força que jamais imaginamos possuir. Este capítulo fala exatamente sobre isso: sobreviver ao impossível, recomeçar quando parecia não haver mais nada e encontrar amor, propósito e coragem nas dores mais profundas.
Este capítulo fala sobre mim, Fabiana. Sobre a mulher que eu era… e sobre a mulher que precisei me tornar.
Sempre fui uma mulher de movimento. Trabalhei muito, cuidei da minha família com dedicação e acreditei que, com esforço suficiente, tudo acabaria encontrando seu lugar. Mas nenhum esforço do mundo nos prepara para ouvir a palavra “câncer”.
Lembro-me com clareza daquele instante. As paredes pareciam se fechar ao meu redor, o ar ficou pesado e a voz do médico soava distante, como se viesse debaixo d’água: “É câncer colorretal.” Aquela frase rasgou minha alma e abriu um capítulo que eu jamais imaginei viver.
Nos dias que se seguiram, entre exames, consultas, incertezas e lágrimas silenciosas, eu tentava entender como a vida podia mudar tão rápido. Em poucas horas, deixei de ser apenas esposa, mãe e profissional e me tornei paciente. Vulnerável. Assustada. Frágil.
Exatamente ali que compreendi algo fundamental: eu não estava quebrada. Eu estava sendo reconstruída. Meu marido, o amor da minha vida, foi quem me segurou quando senti que iria desmoronar. Ele não hesitou por um segundo. Largou tudo, inclusive o trabalho, para cuidar de mim. Muitos falam sobre apoio, mas viver isso na prática transforma qualquer definição de amor. Ele foi meu chão nos dias em que eu não tinha forças sequer para me olhar no espelho. Acompanhou-me em consultas, segurou minha mão durante a quimioterapia, aprendeu sobre medicações, curativos e procedimentos. Tornou-se meu enfermeiro, meu protetor, meu melhor amigo e, acima de tudo, meu porto seguro.
Houve noites em que chorei baixinho, com medo de não acordar no dia seguinte. Ele sentava ao meu lado, segurava minha mão e repetia com firmeza: “Você não está sozinha. Nós vamos vencer isso.” E vencemos. O câncer tentou me derrubar, mas ele me levantou todas as vezes.
O tratamento foi longo e desafiador. Meses de quimioterapia, radioterapia e, depois, cirurgia. Vivi a experiência traumática da ileostomia – carregar no próprio corpo uma bolsa que expunha minha fragilidade – e , mais tarde, enfrentei a reversão da bolsa, outro grande desafio físico e emocional. Cada fase deixou cicatrizes visíveis e invisíveis. Mas todas elas contavam a mesma história: eu estava viva.
Meu corpo já não era o mesmo. Minha relação com a comida mudou para sempre. Alimentos como leite e álcool passaram a me fazer mal. Aprendi que algumas coisas não voltam ao que eram, mas nós aprendemos a nos adaptar. E é assim que seguimos em frente.
Como se enfrentar o câncer não fosse suficiente, enquanto eu lutava pela minha vida, minha filha recebeu o diagnóstico de transtorno de personalidade borderline. Mais uma dor, mais um impacto, mais um universo que eu precisaria aprender a compreender.
Ainda em recuperação física e emocional, precisei me tornar o pilar dela. Aprender sobre suas crises, suas dores internas, seus medos. Ser mãe quando, muitas vezes, eu mal conseguia ser eu mesma. Houve dias em que me senti dividida entre dois mundos: o meu, costurado pela sobrevivência, e o dela, intenso, profundo e exigindo amor incondicional. E eu dei. Dei tudo o que tinha.
Aprendi que amar também é segurar alguém no meio da tempestade enquanto você mesma está cansada, molhada e com frio. Seguimos juntas. E seguimos até hoje.
Em meio a tudo isso, algo sempre me puxava de volta para a vida: o meu trabalho. Muitas pessoas não compreendem o que significa trabalhar com seguros. Para muitos, é apenas um serviço, uma burocracia. Para mim, nunca foi. Sempre foi cuidado. Proteção. A possibilidade de evitar que outras famílias enfrentem dores semelhantes às que eu vivi.
Depois do câncer, essa missão ganhou um significado ainda mais profundo. Mesmo lutando para sobreviver, encontrei no trabalho um senso de propósito. Ajudar clientes, orientar famílias, oferecer segurança, tudo isso me mantinha de pé. Em dias de dor intensa, atender alguém que precisava de ajuda me lembrava que eu ainda era útil, ainda era necessária.
Quando recebi o benefício de vida, por estar devidamente segurada – algo que transformou minha segurança financeira – compreendi, de forma definitiva, o valor do que faço.
Eu não vendo seguros.
Eu vendo tranquilidade.
Eu vendo proteção.
Eu vendo amor traduzido em segurança financeira.
Eu senti na pele o impacto de uma cobertura bem estruturada, que me deu dignidade em um dos piores momentos da minha vida. Isso transformou para sempre a profissional que sou hoje.
Hoje, ao olhar para trás, não vejo apenas dor. Vejo renascimento. O câncer não me destruiu. Ele me redefiniu. Ensinou-me que força não é nunca cair, mas levantar sempre. Ensinou-me que amor é verbo, é gesto, é presença. Ensinou-me que minha família é meu maior tesouro e que meu trabalho é minha missão.
Sigo em remissão. Sigo lutando por mim, pela minha filha, pela minha família. Sigo construindo uma carreira que me enche de orgulho e ajudando pessoas, porque sei, profundamente, que ninguém deveria enfrentar momentos difíceis sem proteção, sem segurança e sem orientação.
Sou feita das minhas cicatrizes – e é isso que me torna forte.
Sou feita do amor que recebi – e é isso que me torna inteira.
Sou feita do trabalho que escolhi – e é isso que me torna útil.
E, acima de tudo, sou feita de esperança.
Esperança de que minha história inspire outras mulheres. Esperança de que minha coragem fortaleça famílias. Esperança de que meu trabalho continue salvando vidas.
Porque sobreviver é uma coisa… renascer é outra! E eu renasci!
*Fabiana Rivera é corretora de seguros

