Conselho de Segurança da ONU se reúne em caráter de emergência - créditos: divulgação
06-01-2026 às 13h28
Por Samuel Arruda*
Nova York / Caracas — A captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por forças dos Estados Unidos, e sua transferência para território norte-americano para responder a acusações de narcotráfico e conspiração criminosa, provocaram uma onda de reações diplomáticas e reacenderam o debate sobre soberania, legalidade internacional e o uso da força nas relações entre Estados.
Washington classificou a ação como uma operação de aplicação da lei, afirmando que agiu para combater o crime transnacional e responsabilizar líderes acusados de violações graves. A Casa Branca sustenta que não se trata de ocupação militar, mas de uma medida pontual com respaldo jurídico interno.
Na ONU, o episódio levou a uma sessão de emergência do Conselho de Segurança, marcada por forte polarização. O secretário-geral António Guterres manifestou preocupação com a legalidade da operação e com o risco de agravamento da instabilidade na Venezuela. A reunião terminou sem resolução, refletindo o impasse entre membros permanentes e o poder de veto dos EUA.
China e Rússia condenaram duramente a ação, classificando-a como violação da soberania venezuelana e do direito internacional. Pequim e Moscou exigiram a libertação de Maduro e defenderam que qualquer solução para a crise venezuelana deve ocorrer por meio do diálogo e sob mediação multilateral.
Na Europa, a reação foi mais cautelosa. A União Europeia evitou apoiar a operação, enfatizando que, embora haja questionamentos sobre a legitimidade democrática do governo venezuelano, mudanças políticas devem respeitar o direito internacional. Países como França e Espanha pediram contenção e uma saída diplomática.
A América Latina apresentou respostas diversas, mas majoritariamente críticas ao uso da força. Brasil, México, Colômbia e Cuba denunciaram a ação como um precedente perigoso para a região e uma afronta à soberania nacional. Em contraste, alguns governos, como o da Argentina, viram a captura como um golpe contra o autoritarismo chavista, evidenciando a polarização ideológica no continente.
Além das repercussões políticas, o caso gerou efeitos econômicos e legais, como o congelamento de ativos ligados a Maduro e a aliados em países europeus, ampliando o cerco financeiro ao entorno do ex-líder venezuelano.
Analistas avaliam que o episódio pode redefinir padrões de intervenção internacional, intensificar a rivalidade entre EUA, China e Rússia e aprofundar as divisões no sistema multilateral, colocando à prova os limites entre combate ao crime transnacional e respeito à soberania dos Estados.
*Samuel Arruda é jornalista e articulista
Com informações de: The Guardian, Reuters e New York Post

