Arte surreal, caravela portuguesa em chamas no mar - créditos: Dreamstime
08-03-2026 às 15h29
Carlos Mota*
Quem vai ao vento perde o assento; quem vai ao ar perde o lugar, e sendo isso uma sentença irrecorrível, pode ser que perdi a minha antiga condição de fanadeiro, jequitinhonheiro ou até mesmo de mineiro, pois saí do Vale em 1974, embora o visitando regularmente por muito anos, mas há vinte anos me enraizei nesta terra vermelha do Planalto Central, me tornando meio candango, meio goiano!
E acho até que já perdi a condição de brasileiro, porque mesmo com os pés apoiados no mapa do Brasil ou no próprio Mapa Mundi, a minha cabeça anda em alguma estrela, possivelmente fora do território da Via Láctea.
É que ser fanadeiro ou mesmo terráqueo é algo que tem prazo de validade, e acho que o meu ou já está vencido ou perto de vencer.
Sorte têm os ciganos, os artistas de circo, os andarilhos, os homeless e os apátridas, pois não ficam que nem minhocas aferrados a terrenos, portando carteiras de identidade e, títulos de eleitor, CPF, nem pagando IPTU.
Enquanto que para transitarmos pelo nosso planeta esbarramos em fronteiras e aduanas, que nos exigem passaporte e visto de entrada, para irmos ao espaço não há quem nos peça isso.
Dizem que, neste caso, não temos caminho de volta, mas não necessitamos de queimar as naves espaciais, como não queimavam caravelas os portugueses que chegavam ao Brasil, de forma que não tivessem como se arrependerem e voltarem para Portugal.
*Carlos Mota é ex-deputado federal, Procurador federal e membro da ALVA – Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha

