Ex-presidente Jair Bolsonaro - créditos: divulgação
07-01-2026 às 08h26
Samuel Arruda*
Brasília — O ex-presidente Jair Bolsonaro, de 70 anos, sofreu uma queda na madrugada desta terça-feira (6) na cela onde cumpre pena na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, resultando em um traumatismo craniano leve após bater a cabeça em um móvel, segundo relatos da família e avaliação médica preliminar.
A informação sobre o incidente foi inicialmente divulgada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro em redes sociais, que relatou que o ex-presidente passou mal durante o sono, caiu e só recebeu atendimento quando as portas da cela foram abertas para sua visita. A Polícia Federal confirmou que Bolsonaro foi atendido por um médico da corporação e apresentou ferimentos leves, não exigindo, por enquanto, hospitalização, embora qualquer traslado a hospital dependa de autorização do Supremo Tribunal Federal (STF).
O cirurgião que acompanha Bolsonaro descreveu o quadro como traumatismo cranioencefálico leve (concussão), recomendando observação médica rigorosa. Este episódio ocorre poucos dias após o ex-presidente ter recebido alta de uma internação em Brasília, onde foi submetido a correções de hérnia e tratamento de soluços persistentes no fim de dezembro.
Apesar da natureza aparentemente branda da lesão, a queda reacende preocupações sobre o estado de saúde de Bolsonaro, que tem um histórico de problemas médicos crônicos, incluindo múltiplas cirurgias decorrentes de um ataque a faca em 2018. A defesa do ex-presidente já solicitou formalmente a transferência para um hospital para exames complementares, um pedido que ainda depende de aval judicial.
Relatos de familiares, incluindo o filho Carlos Bolsonaro, mencionam hematomas e menor sangramento observados após o acidente, e há pressão por uma avaliação médica mais aprofundada, inclusive com fisioterapeuta, diante de preocupações com possíveis efeitos residuais do traumatismo.
A reação entre parlamentares alinhados ao bolsonarismo tem sido de crítica à condução da custódia e de defesa do ex-presidente. Embora ainda não haja declarações formais amplamente divulgadas sobre a queda em si, a base de apoio ao ex-mandatário no Congresso historicamente tem acusado as autoridades de perseguição política em situações envolvendo ações da Polícia Federal e do STF contra aliados ou familiares de Bolsonaro.
Aliados parlamentares tendem a enxergar episódios como este dentro de um quadro mais amplo de polarização e suposta “perseguição à direita”, um discurso que tem sido reiterado em outras ocasiões de confrontos entre bolsonaristas e instituições como a PF e o STF.
Apesar disso, não há ainda uma mobilização pública massiva de deputados e senadores bolsonaristas sobre o incidente específico da queda, mas a situação pode intensificar discursos de cobrança por transparência no tratamento médico e nas condições de custódia, com potencial de ampliar tensões políticas já existentes.
Bolsonaro cumpre uma pena de 27 anos e três meses de prisão por liderar um plano golpista após a derrota nas eleições de 2022, acusado e condenado por uma série de crimes relacionados à tentativa de usurpar o processo democrático.
A queda na cela ocorre em um momento de alta polarização e debate sobre a legitimidade da prisão e das condições carcerárias de Bolsonaro, com aliados políticos acompanhando de perto cada desenvolvimento e enfatizando a necessidade de respeito a seus direitos e à sua saúde física — ainda que a narrativa oficial das autoridades até agora aponte para lesões leves e acompanhamento clínico contínuo.
*Samuel Arruda é jornalista e articulista

