Presidentes, Milei da Argentina e Donald Trumpo - créditos: divulgação
23-02-2026 às 07h44
Alberto Sena
Não sei por que os argentinos ainda não deram, como se diz, “um bico no traseiro” do ditador Javier Milei, depois de tudo que vem imprimindo na Argentina, desde o final de 2023, ao longo de anos até o início deste. Um ajuste fiscal rigoroso, que, na opinião dele, é para “zerar o déficit, desregulamentar a economia e flexibilização trabalhista”. Em outras palavras a intenção dele é dar combate a hiperinflação, reduzir de modo drástico os gastos públicos e a intervenção estatal.
Essas atitudes tomadas pelo presidente argentino são como um retrato em branco e preto dele mesmo, que governa para os ricos em detrimento da classe trabalhadora. Em um país onde há democracia, a classe trabalhadora, a que realmente carrega nos ombros o piano da economia, não pode ser sacrificada, nessa tal reforma engendrada por Milei.
Imagina aí o que poderá acontecer se quem roda a roda parar de rodá-la. Se os trabalhadores de modo geral cruzarem os braços, a Argentina, que tem índices mais baixos de analfabetismo, acaba de acabar. Milei não assumiu a presidência, ele por ele mesmo ou aplicando um golpe. Foi eleito, agora, a opção que os argentinos têm é a de dar “um bico no traseiro” dele, como foi sugerido no início.
O ditador argentino aprovou no Congresso em 2026, reforma trabalhista que amplia o período de experiência, flexibiliza regras de férias, jornadas de trabalho (até 12 horas) e facilita demissões.
Será que Milei está esperando que a massa trabalhadora bata palmas para ele? Mais um pouco ainda: restrições ao direito de greve, especialmente em serviços essenciais, como saúde e educação, além de bancos de horas substituindo horas extras. Um “Fundo de Demissão” para substituir parte das indenizações tradicionais.
E depois disso, o presidente esperava ver os argentinos rindo até as orelhas? Ele governa para os ricos e se tivesse coração estaria governando para todos, mas com especial tratamento para os mais necessitados.
Recordo do tempo em que a Argentina era governada por Peron com a sua Evitta. A Argentina dava um brilho especial na América Latina, e à essa altura, não pode ser tratada dessa forma como Milei quer.
Reajam “hermanos”! Vejam os exemplos que o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva tem dado, ao ponto de recolocar o Brasil no seu lugar perante as nações. E com todo o cuidado em relação à camada pobre da sociedade.
Lula está na Índia onde Brasil irá trabalhar cientificamente. Ele levou uma grande comitiva de empresários para entabularem negócios, numa visita em que os dois países somarão esforços para causar transformações.
Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos da América do Norte, o Donald Trump, perdeu mais uma com a anulação das tarifas por parte do Supremo Norte-Americano. Tarifas essas impostas antes pela prepotência de Trump aos países com os quais os EUA mantêm relações comerciais.
Trump, assim como Milei, na Argentina, há muito tempo já devia ter levado “um bico no traseiro”. Norte-americanos e argentinos estão na mesma sinuca, “sinuca de bico”. Quem sabe esta é a grande oportunidade de acabar com essa embicada situação, em que, ao final, o povo leva a pior?
*Alberto Sena é jornalista e escritor

