Forte queda do café tem forte impacto em Minas - créditos: divulgação
12-02-2026 às 17h26
Direto da Redação
No senário nacional o relatórios de exportação divulgados pelo Cecafé apontam que as vendas externas de café canéfora e arábica caíram substancialmente em janeiro de 2026, com retração de volumes e receitas em relação ao ano anterior — um movimento que tem pressionado as cotações internas ao longo das primeiras semanas do ano. A redução no interesse de compradores internacionais tem sido parcialmente atribuída à expectativa de uma safra robusta em 2026, que aumentaria a oferta global e reduziria premissas de escassez que impulsionaram preços até o final de 2025.
Além disso, fatores como os efeitos de barreiras tarifárias sobre exportações — incluindo a aplicação de tarifas elevadas pelos Estados Unidos no ano anterior — contribuíram para a retração dos embarques do café brasileiro em mercados tradicionais.
Com forte repercussão em Minas Gerais, estado que concentra a maior produção de café arábica do país, tem sentido intensamente os efeitos da queda de preços. Dados de mercado indicam que os valores pagos ao produtor mineiro têm recuado nas últimas semanas, refletindo tanto a maior oferta interna com o avanço da colheita quanto a menor pressão de demanda externa diante da perspectiva de estoques globais mais confortáveis.
Produtores nas regiões Sul de Minas, Cerrado Mineiro e Matas têm relatado queda nas cotações acima da média nacional, com impactos diretos no balanço financeiro das propriedades. A perspectiva de menor remuneração, após dois anos de preços elevados, vem gerando intensa movimentação entre cooperativas e associações rurais em busca de estratégias de mitigação de perdas.
A retração dos preços tem repercussão em toda a cadeia produtiva. Produtores familiares e médios cafeicultores relatam preocupações com custos fixos que não recuaram na mesma proporção que os preços do café, incluindo insumos, mão de obra e logística. Em algumas áreas, há relatos de adiamento de investimentos previstos para 2026 devido à incerteza no mercado de preços.
Do lado do consumidor, a desaceleração dos preços em atacado e varejo — embora ainda sujeita a repasses parciais — começa a aparecer em medidas de inflação, com queda nos preços ao consumidor registrados em alguns meses de 2025, a primeira oscilação negativa após longa alta na série histórica.
Analistas do setor enfatizam que o mercado cafeeiro brasileiro está em uma fase de ajuste de expectativas: após anos de preços elevados devido à oferta restrita e a fatores climáticos adversos, a perspectiva de uma safra recorde e maior oferta global tem pressionado as cotações. A continuidade dessa tendência dependerá da evolução da produção interna, clima nas principais regiões cafeeiras e comportamento da demanda internacional.

