Justiça manda aplicar polilaminina em paciente - créditos: divulgação
06-01-2026 às 09h14
Samuel Arruda*
Nos últimos anos, a polilaminina tem ganhado espaço em debates nas redes sociais e em alguns círculos ligados à saúde alternativa, sendo apresentada como um possível recurso em chamados “tratamentos modulares” para doenças graves. Apesar da crescente visibilidade, especialistas alertam que o uso do produto ainda carece de comprovação científica robusta e de aprovação por órgãos reguladores.
A polilaminina é descrita por seus defensores como uma substância capaz de atuar na matriz extracelular do organismo, estrutura responsável pela sustentação e comunicação entre as células. A partir dessa ideia, surgem alegações de que o composto poderia “modular” respostas do corpo em quadros complexos, como doenças autoimunes, neurológicas ou degenerativas.
No entanto, pesquisadores e entidades médicas afirmam que essas afirmações não são sustentadas por estudos clínicos de grande escala, revisados por pares e reconhecidos pela comunidade científica. Até o momento, não há consenso sobre mecanismos de ação, eficácia terapêutica ou segurança do uso da polilaminina em seres humanos para o tratamento de doenças graves.
Autoridades sanitárias também não reconhecem a polilaminina como medicamento aprovado para tais finalidades. Em muitos países, produtos com esse nome são comercializados como suplementos ou compostos experimentais, o que significa que não passam pelos mesmos critérios rigorosos exigidos para medicamentos convencionais, como testes clínicos controlados.
Para especialistas em saúde pública, o principal risco está na substituição ou atraso de tratamentos comprovadamente eficazes. “Quando pacientes em situação grave recorrem a terapias sem validação científica, pode haver perda de tempo precioso e agravamento do quadro clínico”, alertam profissionais da área.
A discussão sobre a polilaminina evidencia um desafio maior: a necessidade de informação de qualidade em um cenário onde promessas terapêuticas se espalham rapidamente. Médicos e pesquisadores reforçam que qualquer tratamento para doenças graves deve ser baseado em evidências científicas sólidas e acompanhado por profissionais habilitados.
Enquanto estudos mais aprofundados não são realizados, o uso da polilaminina permanece cercado de controvérsias, levantando questionamentos sobre segurança, eficácia e responsabilidade na divulgação de alternativas terapêuticas.
*Samuel Arruda é jornalista e articulista

