Desastre ambiental na Foz Equatorial do Rio Amazonas - créditos: Intercept Brasil
08-01-2026 às 13h18
Samuel Arruda*
A Petrobras confirmou a ocorrência de um vazamento de fluido durante a perfuração de um poço de petróleo na Margem Equatorial brasileira, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá. O incidente foi identificado no último domingo (4) e levou à paralisação imediata das atividades no local. Até o momento, a empresa não informou quando a operação será retomada.
Segundo a estatal, o vazamento ocorreu em duas linhas auxiliares que conectam a sonda de perfuração ao poço Morpho, localizado no bloco exploratório FZA-M-059, a aproximadamente 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas. A Petrobras afirma que não houve falha estrutural na sonda nem no poço, que seguem, segundo a empresa, “em total condição de segurança”.
Em nota oficial, a companhia informou que adotou medidas de controle e notificou os órgãos ambientais competentes. A Petrobras sustenta que o fluido de perfuração utilizado — uma mistura de água, argila e produtos químicos — atende aos limites de toxicidade permitidos e é biodegradável, não oferecendo riscos ao meio ambiente ou à população.
O fluido de perfuração é empregado para limpar e lubrificar a broca durante a abertura do poço, além de auxiliar no controle da pressão interna e evitar o colapso das paredes. Apesar das garantias da empresa, o episódio reacende preocupações antigas de ambientalistas, cientistas e organizações da sociedade civil sobre a exploração de petróleo na Margem Equatorial.
Especialistas alertam que a região abriga ecossistemas sensíveis e estratégicos, como recifes, manguezais e áreas de alta biodiversidade, além de correntes marítimas complexas que podem transportar contaminantes por longas distâncias. Estudos e manifestações de ambientalistas ao longo dos últimos anos já apontavam o risco de que vazamentos, mesmo considerados de “baixo impacto”, possam atingir a costa amazônica e, em cenários mais graves, influenciar a dinâmica ambiental da foz do Rio Amazonas.
Comunidades tradicionais, povos indígenas e ribeirinhos também têm demonstrado preocupação com a ampliação da fronteira petrolífera na região, temendo impactos sobre a pesca, a segurança alimentar e os modos de vida locais.
O vazamento ocorre em meio a um debate nacional sobre a viabilidade ambiental da exploração de petróleo na Margem Equatorial, área vista pelo governo e pela indústria como uma nova fronteira energética, mas considerada por ambientalistas uma das regiões mais vulneráveis do país a desastres ambientais.
Fonte: Agência Brasil
*Samuel Arruda é jornalista e articulista

