Créditos: Divulgação
14-01-2026 às 14h36
Wagner Fernando*
O cidadão belo-horizontino prepara as malas com o cuidado de quem conhece suas raízes e a curiosidade de quem busca novas experiências. Esse movimento, que mistura afeto, planejamento e expectativa, foi detalhado na pesquisa “Turismo: Comportamento e intenções de viagens dos belo-horizontinos”, realizada pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio MG atendendo ao setor de Turismo da entidade. O levantamento ouviu moradores das nove regionais da capital, de 17 de dezembro de 2025 a 02 de janeiro de 2026, e revelou o perfil do morador da capital, fundamental para entender e orientar decisões empresariais e fortalecer o setor de turismo e serviços.
Os dados mostram que o desejo de viajar segue vivo. Nos últimos 12 meses, cerca de um terço dos entrevistados viajou para outros estados, enquanto quase metade afirma que, de modo geral, costuma escolher destinos dentro de Minas Gerais. Para o próximo semestre, a intenção de viagens interestaduais permanece relevante com 42,2%, impulsionada principalmente pelo turismo de sol e praia. Para viajar pelo estado de Minas Gerais, 52,4% dos belo-horizontinos, levam em consideração fatores como preços mais competitivos, maior divulgação dos destinos e redução dos custos de hospedagem na hora de escolher seus destinos.
Segundo a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, compreender essas escolhas é decisivo para transformar intenção em resultado. “O estudo mostra que existe demanda disponível. O desafio do empresário é alinhar preço, comunicação e experiência para que Minas Gerais seja percebida como uma escolha tão atrativa quanto outros estados”, afirma. A pesquisa revelou que o turista que planeja gastar entre R$ 3.037 e R$ 6.072 por viagem, busca por produtos turísticos bem estruturados, com sol e praia, gastronomia, encontros com família, atrativos culturais e ecoturismo, capazes de combinar lazer, conforto e interesse com o local.
O perfil de quem viaja também revela particularidades importantes. O cônjuge é o principal companheiro de viagem com 30,8%, seguido pelos filhos com 22,9%, o que evidencia a força do turismo familiar. Viagens em casal tendem a buscar conforto com destino no litoral para 59,9%, visitar a família com 33,7%, experiências culturais para 19,8% e 14,5% pela boa gastronomia e, enquanto famílias com filhos priorizam destinos com lazer diversificado como litoral para 63,6%, 35,2% buscam visitar a família em programas com mais segurança e estrutura familiar. Há ainda o público que viaja sozinho, geralmente mais flexível no roteiro, 31,3% buscam visitar a família, 28,1% viajam à trabalho, e a mesma porcentagem pretende viajar para o litoral, atentos aos custos e aberto a experiências religiosas, culturais e gastronômicas. Já as excursões organizadas, embora representem uma fatia menor, concentram perfis que valorizam praticidade, preços fechados e logística simplificada.
A turismóloga da Fecomércio MG, Milena Soares, destaca que esses recortes ajudam o setor de turismo a personalizar as ofertas. “Quando o empresário entende o perfil de quem está viajando, suas preferências de compras e hábitos de planejamento, ele consegue desenvolver produtos e serviços mais eficientes, desde o tipo de hospedagem, alimentação até os passeios e serviços personalizados”, explica. De acordo com a pesquisa, 81,3% dos viajantes montam o próprio roteiro, o que reforça a importância de informações claras, presença digital e boa comunicação dos destinos.
A internet é o principal canal de busca por informações turísticas para mais de 66,3% dos entrevistados, seguida pelas redes sociais com 30,8% e 30% optam por indicação de amigos e familiares. Apesar disso, 44,5% ainda não realizam compras on-line, o que revela uma oportunidade dupla: melhorar a experiência digital e, ao mesmo tempo, fortalecer a confiança do consumidor com mais segurança nas plataformas on-line. Entre aqueles que compram pela internet, hospedagem 38% e transporte rodoviário 19% lideram as escolhas, reforçando a importância da qualidade da malha viária como principais meios de deslocamento, à frente do transporte aéreo com 16,3%.
Quando falamos de hospedagem, os hotéis aparecem como a principal opção com 37,3%, seguidos pela casa de amigos e familiares com 29,9% e pelas pousadas com 16,2%. Esse dado dialoga diretamente com o comportamento do mineiro, conhecido pela hospitalidade e pelo acolhimento. Em Minas Gerais, receber bem faz parte da cultura. O convite “passa lá em casa” carrega um valor simbólico forte, que se reflete tanto nas relações pessoais quanto na forma como o turismo é vivenciado.
Mesmo sem litoral, Minas Gerais se destaca por outros atributos que encantam visitantes e moradores. A gastronomia mineira, reconhecida como uma das melhores do país, é um ativo a ser considerado. Pratos tradicionais, o pão de queijo, o café passado na hora e a culinária afetiva funcionam como verdadeiros motivadores de viagem. Além disso, o estado oferece um turismo de negócios em expansão, cidades históricas, experiências religiosas e culturais, opções de ecoturismo, turismo rural e lazer em meio à natureza, elementos que ampliam o leque de possibilidades ao longo de todo o ano.
A pesquisa também revela que as viagens costumam ser planejadas com antecedência, 28,1% planejam até três meses as suas viagens e 27,1% planejam com a antecedência de 3 a 6 meses, principalmente, antecedendo o período de férias e feriados. A permanência média nos destinos é de até uma semana para 64,9% dos cidadãos, e mais de 76,4% dos entrevistados afirmam que viajam menos do que gostariam. Para Fernanda Gonçalves, esse dado é um alerta e uma oportunidade. “Existe um desejo reprimido por viajar. Políticas de preços, promoções fora da alta temporada e maior divulgação podem estimular esse consumo e movimentar a economia local”, avalia.
O comportamento do cidadão mineiro é marcado pela discrição, pelo apego às tradições e pela religiosidade, que também influencia suas escolhas turísticas. Festas religiosas, patrimônio histórico e manifestações culturais seguem como atrativos relevantes, especialmente para o turismo cultural e religioso. “Minas tem identidade forte. Quando o empresário valoriza essa essência, ele não vende só um destino, vende uma experiência completa”, resume Milena Soares. Mais do que números, o estudo oferece pistas claras sobre como ajustar produtos, serviços e comunicação para atender expectativas reais, fortalecer o turismo e transformar o potencial do estado em resultados concretos para a economia.
O Sesc MG oferece serviços de agenciamento de viagens com o propósito de tornar o turismo acessível para todo mundo, conectando pessoas a diversos destinos nacionais por meio de passeios rodoviários e opções aéreas. Para quem busca ir mais longe, há pacotes nacionais e internacionais camo Itália, Grécia e Portugal. Os interessados podem adquirir suas experiências de forma prática pelo site viagenseexperiencias.sescmg.com.br ou presencialmente no Centro de Atendimento ao Turista – Sesc Mercado das Flores na Av. Afonso Pena, 1055 e na Agência Sesc Viagens e Experiências na Rua Rio de Janeiro, 1046 – Centro.
Sobre a Fecomércio MG
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG) é a principal entidade representativa do setor do comércio de bens, serviços e turismo no estado, que abrange mais de 750 mil empresas e 54 sindicatos. Sob a presidência de Nadim Elias Donato Filho, a Fecomércio MG atua como porta-voz das demandas do empresariado, buscando soluções através do diálogo com o governo e a sociedade. Outra importante atribuição da Fecomércio MG é a administração do Serviço Social do Comércio (Sesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) em Minas Gerais. A atuação integrada das três casas fortalece a promoção de serviços que beneficiam comerciários, empresários e a comunidade em geral, a partir de suas diversas unidades distribuídas pelo estado.

