Créditos: Divulgação
22-02-2026 às 10h37
Sérgio Augusto Vicente*
Velho, à margem de água salgada e bravia,
aos saculejos de superfície por anos resistia.
Ó, mar salgado,
mar de tantas belezas e dores,
quanto de seu sal
são lágrimas de pesca-dores!
Da terra firme, ao relento, em profundezas mergulha.
Sobre o espelho d’água não mais se sustenta,
enquanto à sua morte assiste,
lenta.
Beleza rústica.
Rústica beleza.
Depois do trabalho, a ruína,
sepultura do labor,
ventre da poesia,
pedestal do amor.
Derrota do artifício,
vitória da natureza,
fábrica de rica beleza.
Eterno ócio,
do poeta sacerdócio,
aposentadoria do capital.
*Sérgio Augusto Vicente é historiador, professor, escritor e curador. Trabalha na Fundação Museu Mariano Procópio e atua como colunista e editor de cultura do Diário de Minas.


