Mulheres na luta por mais reconhecimento e direitos - créditos: Agência Brasil
14-03-2026 às 08h42
Francisco Velas Boas
Para além de uma data comemorativa, o Dia das Mulheres (08/03) — ou mesmo o Mês das Mulheres (março) — representa um ato político que simboliza a luta histórica das mulheres para que fossem, sejam e continuem sendo reconhecidas como sujeitos de direitos. Nesse sentido, a filósofa existencialista Simone de Beauvoir afirmou que “não se nasce mulher, torna-se mulher”. Com essa reflexão, Beauvoir reconhece o papel central das mulheres na luta pelos direitos conquistados ao longo do último século e meio, ao defender que a feminilidade não é um destino biológico inato, mas uma construção social, cultural e histórica, moldada por normas, comportamentos e expectativas.
A frase de Beauvoir convoca as mulheres — e a sociedade como um todo — a reconhecer essas normas como construções sociais, permitindo questioná-las, superar papéis passivos historicamente impostos e afirmar a liberdade de definir seus próprios destinos.
Lembrar dessa data com flores, jantares e mensagens é importante. Contudo, mais do que isso, é fundamental refletir sobre a necessidade de uma transformação estrutural que permita às mulheres usufruírem, de fato, dos mesmos direitos e privilégios assegurados aos homens.
De nada adianta um buquê de flores se permanecemos indiferentes ao fato de que mulheres ainda recebem menos que homens ao exercerem a mesma atividade profissional. De nada adianta um jantar romântico se naturalizamos a submissão e a violência contra mulheres, especialmente no âmbito doméstico. De nada adianta uma mensagem carinhosa no dia 08 de março, se não respeitamos as liberdades individuais das mulheres no dia a dia.
Se realmente desejamos celebrar o Dia e o Mês das Mulheres, devemos, antes de tudo, estar ao lado delas na luta para que possam exercer plenamente os direitos e as oportunidades que, historicamente, têm sido garantidos com maior facilidade aos homens.
*Francisco Vilas Boas é doutor em direito pela PUC Minas, Pós-doutor pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, Advogado criminalista e Professor de cursos de graduação e pós-graduação em Direito. Membro da Academia de Letras do Vale do Jequitinhonha e da Academia de Letras de Pará de Minas. Presidente da Comissão Direito e Literatura da OAB/MG, junto à 18ª Subseção.


