
A guerrilha é um estilo (um método) de luta caracterizada pela resistência e pela surpresa no ataque. CRÉDITOS: Freepik
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01-04-2025 às 09h49
Ramiro Fialho Filho*
A pior das instituições gregárias se intitula exército.
Eu o odeio.
Se um homem puder sentir qualquer prazer em desfilar
aos sons de música, eu desprezo este homem…
Não merece um cérebro humano,
já que a medula espinhal o satisfaz.
Deveríamos fazer desaparecer o mais depressa possível
este câncer da civilização.
Detesto com todas as forças
o heroísmo obrigatório, a violência gratuita
e o nacionalismo débil.
A guerra é a coisa mais desprezível que existe.
Preferiria deixar-me
assassinar a participar desta ignomínia.
No entanto, creio profundamente na humanidade.
Sei que este câncer de há muito
deveria ter sido extirpado. Mas o bom senso
dos homens é sistematicamente corrompido.
E os culpados são: escola, imprensa,
mundo dos negócios, mundo político.
Albert Einstein
Não sei se você conhece a história do Brasil e da América do Sul nesta década. Terminava o ano de 1960. Talvez um tempo fundamental na história política do mundo e que tivera um grande valor de símbolo, em seu início, com o triunfo das lutas guerrilheiras (um método) que começaram, em Sierra Maestra, em Cuba, e se alastraram pelo mundo. Com o 1968, em Paris quando os estudantes e os operários franceses chegaram muito perto de mudar o mundo.
Nós estamos no sul da América, clima tropical, nas imediações do Trópico de Capricórnio. Região de belas montanhas e serras, um terreno que traria surpresas no desenrolar dos confrontos.
A guerrilha é um estilo (um método) de luta caracterizada pela resistência e pela surpresa no ataque. É a luta dos fracos contra os fortes, dos desorganizados contra os organizados, dos perseguidos contra os perseguidores, dos sem exércitos contra os donos dos exércitos e das armas.
É uma luta onde a fuga/retirada rápida constitui peça estratégica fundamental. Os guerrilheiros devem dominar a arte da fuga. O fato político era a guerrilha, as lutas dos guerrilheiros. Aqueles episódios não eram importantes apenas para todos do continente, refletiam um momento do mundo.
As lutas travadas nas montanhas de Cuba continham lições de resistência ao opressor, em seu próprio País, e de um novo enfrentamento no mundo. Antes, Biafra e o Vietnã seriam dois outros momentos cujas repercussões consolidariam a imagem de um mundo mais solidário, apesar das evidentes derrotas e das poucas vitórias, mas significativas, de um punhado de povos pequenos e bravos.
Nós pertencíamos a uma nação subjugada e nós lutávamos e fomos derrotados.
A derrota anuncia que a guerrilha urbana – assim como foi na Argélia, pode ser a primeira opção.
Aqui, também fomos derrotados.
Novas lições, o terror implantado pelo Estado repressor, manipulava até mesmo as forças da resistência como no episódio do Riocentro, em que organizaram um atentado (frustrou-se com a bomba explodindo no colo do sargento-terrorista do próprio Exército).
Outra lição, recuperar a ligação com o povo, com novos métodos de luta e de organização popular – surgem as associações de bairros. Esta lição levaria à mobilização popular e consolidaria inúmeras conquistas eleitorais abrindo espaço para as lutas contra a ditadura.
(Estes dois episódios, Biafra e Vietnã devem ter uma abordagem histórica e uma análise política à parte).
Outras eram as lutas na África, onde a fome era a principal arma, e na Ásia, onde, depois de vencer os franceses, o Vietnã enfrentava o maior e mais bem equipado exército do mundo, os EUA.
Esta é a nossa história. É uma história de resistência e de aprendizado.
Éramos muito jovens.
* Ramiro Fialho Filho é jornalista
A opinião de nossos colunistas, cronistas e comentaristas não refletem, necessariamente a opinião do Jornal Diário de Minas