Lenacapavir é uma vitória importante para os pacientes soro posítivo - créditos: divulgação
13-01-2026 às 14h44
Samuel Arruda*
A aprovação do Lenacapavir pela Anvisa representa uma vitória significativa para pessoas que já convivem com o HIV ou fazem uso de terapias preventivas no Brasil. A chegada de uma nova tecnologia de longa duração reforça os avanços acumulados ao longo dos anos no tratamento e na prevenção da infecção, ampliando as possibilidades de cuidado, adesão e qualidade de vida para pacientes que utilizam outras medicações e agora passam a contar com mais uma alternativa eficaz no enfrentamento do vírus.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta segunda-feira (12), uma nova indicação para o medicamento Sunlenca® (lenacapavir), autorizando seu uso no Brasil como profilaxia pré-exposição (PrEP) para a prevenção do HIV-1, o tipo mais comum do vírus. A decisão amplia as estratégias de enfrentamento à epidemia de HIV no país e representa um avanço relevante na oferta de métodos de prevenção, especialmente para pessoas que encontram dificuldades em manter o uso diário de medicamentos.
Com a aprovação, o lenacapavir passa a ser indicado para adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 quilos, que apresentem risco de infecção pelo HIV-1 e tenham resultado negativo para o vírus antes do início do tratamento. Diferentemente das formas tradicionais de PrEP, baseadas na ingestão diária de comprimidos, o novo medicamento se destaca pela possibilidade de administração por meio de injeção subcutânea a cada seis meses, aplicada por um profissional de saúde. Essa característica de longa duração pode favorecer a adesão ao método preventivo. Há também uma apresentação em comprimido oral, utilizada apenas na fase inicial do esquema terapêutico.
A autorização concedida pela Anvisa se baseia em resultados expressivos de estudos clínicos. No estudo PURPOSE 1, conduzido com mulheres cisgênero, o lenacapavir demonstrou 100% de eficácia na redução da incidência do HIV-1. Outras análises indicaram uma redução de 96% em relação à incidência de base e uma eficácia 89% superior quando comparada à PrEP oral diária em diferentes grupos populacionais. Os dados reforçam o potencial do medicamento como uma alternativa robusta e eficaz para diversos perfis de usuários.
A PrEP integra uma abordagem combinada de prevenção ao HIV, que envolve testagem regular, uso de preservativos, tratamentos antirretrovirais, profilaxia pós-exposição (PEP) e cuidados materno-infantis, entre outras ações. Nesse contexto, a incorporação do lenacapavir como nova opção preventiva fortalece o conjunto de ferramentas disponíveis no país e pode contribuir para a redução das taxas de transmissão, sobretudo entre populações com menor adesão ao uso diário de medicamentos.
Apesar da aprovação regulatória, o medicamento ainda precisa cumprir etapas importantes antes de chegar à população. A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) deverá definir o preço máximo do produto no Brasil, enquanto uma eventual incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS) dependerá da avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e de decisão do Ministério da Saúde. Essas definições serão determinantes para que o lenacapavir, além de aprovado, se torne efetivamente acessível a quem mais necessita.
*Samuel Arruda é jornalista e articulista

