Tecnologia assistiva essencial para inclusão e autonomia no Dia Mundial do Braille - créditos: divulgação
03-01-2026 |às 10h28
Direto da Redação
Celebrado em 4 de janeiro, o Dia Mundial do Braille marca o nascimento de Louis Braille, inventor do sistema de leitura e escrita tátil que revolucionou o acesso à educação, à informação e à autonomia de pessoas cegas em todo o mundo. A data reforça o papel do braille como uma tecnologia assistiva essencial, destaque na atuação da Fundação Dorina Nowill para Cegos, referência nacional na promoção da inclusão de pessoas com deficiência visual.
Criado no século XIX, o braille é um sistema de leitura e escrita baseado em combinações de pontos em relevo. Por meio do toque, pessoas cegas acessam diretamente a informação, o aprendizado formal e a produção de conhecimento. Para quem nasce cego, ele é a única forma de alfabetização plena, pois permite compreender a estrutura da língua, a ortografia e a escrita de forma equivalente à leitura visual.
“Quando lemos em braille, não estamos apenas recebendo informação; estamos entendendo como as palavras são escritas, como as frases se organizam e como podemos nos expressar com autonomia. Isso faz toda a diferença na educação, no trabalho e na vida”, afirma Regina Caldeira, pessoa cega e Coordenadora de Revisão Braille na Fundação Dorina Nowill para Cegos.
Nesse cenário, a Linha Braille, também conhecida como display braille, amplia o acesso ao conteúdo digital. Trata-se de um dispositivo eletrônico de tecnologia assistiva que converte textos de computadores, tablets e celulares em pontos em relevo, permitindo a leitura tátil. O equipamento funciona como um “monitor braille”, exibindo uma linha de texto por vez, que pode ser percorrida com os dedos.
Composta por células braille, a Linha Braille possibilita a leitura precisa de letras, números, símbolos e sinais técnicos. À medida que o usuário navega pelo conteúdo, o texto se atualiza dinamicamente, acompanhando o que está na tela.
Integrada a leitores de tela e outros recursos de acessibilidade, a Linha Braille permite o acesso direto à escrita, sem mediação de áudio. Por isso, é considerada fundamental para estudos, atividades profissionais e autonomia digital.
Embora complementares, a Linha Braille e o leitor de tela cumprem funções distintas. Enquanto o leitor de tela facilita a navegação rápida por meio do áudio, a leitura tátil oferece maior precisão, especialmente em conteúdos técnicos e acadêmicos, além de reduzir a fadiga auditiva e garantir privacidade em ambientes compartilhados.
Apesar de a Linha Braille ainda ser uma tecnologia de alto custo e, portanto, de difícil acesso para grande parte da população, sua utilização em processos de reabilitação é fundamental. Na Fundação Dorina, o equipamento integra atividades de formação e reabilitação, preparando pessoas com deficiência visual para os desafios da educação e do mercado de trabalho. A experiência reforça a importância de investimentos e políticas públicas que ampliem o acesso a tecnologias assistivas.
“O braille vai muito além da leitura: ele devolve às pessoas com deficiência visual o controle sobre a própria aprendizagem e as próprias escolhas. É uma ferramenta de autonomia, protagonismo e cidadania”, destaca Alexandre Munck, superintendente executivo da Fundação Dorina Nowill para Cegos.
No Dia Mundial do Braille, a Fundação Dorina Nowill para Cegos reforça a importância de reconhecer o braille como um direito fundamental e de promover iniciativas que ampliem o acesso à leitura, à educação e à informação para todas as pessoas com deficiência visual.
Sobre a Fundação Dorina Nowill para Cegos
A Fundação Dorina Nowill para Cegos é uma organização sem fins lucrativos e de caráter filantrópico. Há mais de 7 décadas se dedica à inclusão social de crianças, jovens, adultos e idosos cegos e com baixa visão. A instituição oferece serviços gratuitos e especializados de habilitação e reabilitação, dentre eles orientação e mobilidade e clínica de visão subnormal, além de programas de inclusão educacional e profissional.
Responsável por um dos maiores parques gráficos braille em capacidade produtiva da América Latina, a Fundação Dorina Nowill para Cegos é referência na produção e distribuição de materiais nos formatos acessíveis braille, áudio, impressão em fonte ampliada e digital acessível, incluindo o envio gratuito de livros para milhares de escolas, bibliotecas e organizações de todo o Brasil.
A instituição também oferece uma gama de serviços em acessibilidade, como cursos, capacitações customizadas, audiodescrição e consultorias especializadas como acessibilidade arquitetônica e web. Com o apoio fundamental de colaboradores, conselheiros, parceiros, patrocinadores e voluntários, a Fundação Dorina Nowill para Cegos é reconhecida e respeitada pela seriedade de um trabalho que atravessa décadas e busca conferir independência, autonomia e dignidade às pessoas com deficiência visual.
Responder para: Ana Cationi ana.cationi@rpmacomunicacao.com.br

