Ayatollah Ali Khamenei - créditos: Reuters
01-03-2026 às15h26
Samuel Arruda*
No domingo (01/03/2026), a mídia estatal do Irã confirmou oficialmente que o líder supremo, ayatollah Ali Khamenei, de 86 anos, foi morto em ataques coordenados pelos Estados Unidos e Israel no sábado (28/02/2026). Sua morte foi anunciada após dias de negacionismo inicial por parte de Teerã. Informou a Agência Vatican News.
A operação militar conjunta, chamada de “Fúria Épica” pelos EUA e “Rugido do Leão” por Israel, atingiu centenas de alvos em todo o território iraniano, incluindo o que era apontado como o bunker e residência seguros de Khamenei.
Além dele, familiares próximos — incluindo filha, genro e neto — morreram no ataque às instalações do líder.
Autoridades iranianas declararam 40 dias de luto nacional, seguidos por sete dias de celebração, conforme tradição xiita, embora o país esteja em choque pela violência e pelas mortes de civis.
Com a morte de Khamenei, o Irã enfrenta uma transição turbulenta:
Integrantes do Conselho de Guardiães nomearam Alireza Arafi, um aiatolá clerical, para liderar de forma interina o país enquanto se organiza a sucessão formal.
Não há ainda confirmação de um sucessor permanente, e a ausência de um líder supremo claro aumenta a incerteza política dentro do sistema teocrático iraniano.
O cenário dentro e fora do Irã está profundamente dividido:
Dentro do Irã, há relatos de tristeza e protestos espontâneos em apoio ao governo, enquanto milícias e a Guarda Revolucionária juram vingança e retaliação severa contra Israel e os EUA por “assassinato” de seu líder.
Fora do Irã, houve imagens e vídeos de grupos de iranianos no exterior, incluindo em Londres, comemorando a queda de Khamenei e saudando sua morte como um possível fim de décadas de regime opressor, especialmente por parte de segmentos da diáspora que se opunham ao governo clerical.
As tensões continuam elevadas com a escalada de ameaças e retaliações:
A Guarda Revolucionária do Irã prometeu lançar a “operação ofensiva mais feroz da história” contra alvos israelenses e bases americanas na região, em retaliação pela morte de Khamenei.
O governo israelense, por sua vez, afirmou que continuará intensificando ataques contra o que chama de “regime terrorista” e estruturas de poder iranianas.
A comunidade internacional está profundamente dividida: alguns países celebram o fim da liderança de Khamenei, outros condenam o ataque como violação do direito internacional e uma ameaça à paz global.
A morte de Khamenei ocorre em meio a uma grave escalada militar no Oriente Médio, com ataques aéreos, bombardeios e ataques com mísseis entre Irã, Israel e forças americanas e aliados na região. O conflito tem gerado preocupação global sobre uma possível guerra mais ampla.
*Samuel Arruda é jornalista e articulista

